Decidi não assinar aquele contrato.
Não ainda. Nada mais poderia ser fora do meu tempo, tudo deveria estar sob o meu controle.
Carolina havia ultrapassado todos os limites. Estava esquecendo com quem estava lidando, esquecendo que eu não era um empresário qualquer, eu era um Sheik, dono de decisões que mudavam vidas, destinos e impérios.
E, de repente, parecia que ela acreditava que podia me conduzir pela coleira.
Eu precisava recuperar o controle.
Precisava lembrar a ela e ao mundo quem realmente detinha o poder.
Fechei o notebook e deixei o escritório, voltando para a ala principal do palácio. Assim que empurrei a porta do quarto, encontrei Laura sentada à beira da cama.
Ela estava imóvel.
Olhos vermelhos, fundos, como se tivesse passado a madrugada inteira chorando.
Havia um peso estranho no ar, tão denso que parecia empurrar minhas costas.
Ela ergueu o olhar.
Mas não era o olhar irritado, ciumento, instável de sempre.
Era um olhar… vazio. Um olhar que dizia que algo dentro dela simplesmente havia quebrado.
Por um instante, fiquei parado, a encarando, esperei qualquer coisa, um ataque, uma pergunta, uma tentativa desesperada de controlar o que jamais foi dela.
Mas Laura desviou os olhos e voltou a encarar o ponto fixo à frente, sem esforço, sem emoção.
Aquilo me incomodou mais do que deveria.
Convivi tanto tempo com a indiferença dela que cheguei a me acostumar, mas… ironicamente, aquele silêncio parecia mais perturbador do que as discussões.
Eu me troquei em silêncio.
O clima era pesado, sufocante.
Minutos se arrastaram como horas, cada um carregado de algo que eu não soube nomear.
Quando terminei de me vestir, ajeitei os punhos da túnica e fui até a porta.
E então esperei o óbvio, que ela perguntasse onde eu ia, que fizesse qualquer comentário venenoso, que demonstrasse qualquer reação.
Mas ela não disse nada.
Parecia nem perceber que eu estava prestes a sair.
E, talvez por impulso, talvez por ego falei onde eu ia.
— Tenho uma reunião com o Conselho Financeiro agora pela manhã, depois preciso visitar o canteiro de obras do novo hotel. À tarde, encontrarei os ministros para revisar os acordos comerciais. Não sei quanto tempo isso pode levar.
Ela não respondeu. Não levantou os olhos. Não moveu um músculo.
Era como se eu não estivesse ali.
Aquele vazio me atingiu com força inesperada, mas não deixei que parecesse. Apenas saí, fechando a porta atrás de mim.
Por muito tempo, desejei que o casamento desse certo.
Não que nos amássemos, mas que o respeito, a parceria, algo pudesse nascer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: UMA VIRGEM PARA O SHEIK