O palácio estava silencioso, mas dentro de mim tudo parecia gritar. O sentimento amargo de ter sido forçado a negociar… tudo aquilo ricocheteava na minha cabeça como um martelo incansável.
Eu precisava respirar.
Eu precisava descarregar aquela tensão.
E eu sabia exatamente onde ir.
Atravessei os corredores extensos do palácio, cada passo ecoando nas paredes de mármore. A ala do harém ficava no extremo leste, afastada de tudo, isolada, como um mundo próprio, o mundo que eu havia criado.
Um lugar onde nenhuma discussão, nenhuma insubordinação e nenhuma ousadia chegavam.
Ali, tudo era silêncio, perfume e obediência.
Quando as portas se abriram, senti o cheiro familiar do incenso, das flores frescas e do óleo de âmbar que elas usavam na pele.
As concubinas estavam ali, enfileiradas como de costume, abaixando a cabeça assim que me viram entrar. Todas lindas, impecáveis, preparadas.
Mas minha escolha foi imediata.
Meus olhos pararam em Samirah.
Pele morena com um brilho dourado, olhos amendoados que sempre carregavam uma mistura de respeito e devoção. Os cabelos longos, negros como a noite, caíam até a cintura em ondas disciplinadas. Ela era calma, serena, como um bálsamo, e ainda assim profundamente consciente do poder que tinha, embora jamais ousasse demonstrar.
Não era a mais ousada.
Não era a mais falante.
Mas sempre foi a mais… atenta.
— Samirah.
Chamei.
Ela ergueu lentamente o rosto, juntando as mãos diante do corpo.
— Às suas ordens, meu senhor.
Caminhei até ela, observando como sua postura permanecia firme mesmo quando meus olhos percorriam cada detalhe do seu rosto. Ela sabia exatamente quando falar, quando ficar em silêncio… e quando me seguir.
— Venha comigo.
Ordenei.
Ela obedeceu sem questionar, caminhando atrás de mim pelo corredor, até a suíte reservada para momentos como aquele. Eu abri a porta e entrei primeiro, ela entrou alguns segundos depois, fechando a porta atrás de si com cuidado.
A luz baixa deixava tudo mais íntimo. Tapetes espessos, cortinas pesadas, o aroma doce do óleo queimada no canto da sala… tudo em perfeita ordem.
Samirah deu dois passos à frente, e sua voz, baixa e aveludada, preencheu o espaço.
— O senhor está tenso.
Não era uma pergunta.
Era uma constatação.
— Não é da sua conta.
Resmunguei, mas ela não recuou.
— Não precisa me contar, meu senhor.

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