Eu ainda sentia a raiva pulsando nas veias, aquela fúria quente que parecia subir do estômago até o peito, queimando cada pensamento de forma descontrolada.
A ligação com Carolina tinha terminado há poucos minutos, mas a sensação de ter sido desafiado continuava martelando dentro de mim.
Eu não estava acostumado a ser contrariado, ainda menos por uma mulher que mal conhecia minha força, minha influência e o alcance do meu poder. Carolina podia ter coragem, mas era estúpida.
Peguei o celular de novo. Eu sabia que já era madrugada, mas não me importei nem por um segundo. Se algo estava fugindo do controle, eu exigia resposta imediata, então, liguei para a Nádia.
Nádia demorou alguns segundos para atender, e quando o fez, a voz dela saiu baixa, arrastada, ainda tingida pelo sono, mas havia medo ali também. Medo de mim.
— Senhor… aconteceu alguma coisa?
Ela perguntou, como se já soubesse que eu não procuraria por mero capricho.
Eu respirei fundo, tentando controlar o tom, mas não consegui.
— Como é que a Carolina liga para a Júlia, incentiva ela a não assinar o contrato e eu fico sabendo disso pela recepcionista?
Grunhi.
— Eu vou ter que colocar a recepcionista para fazer o SEU trabalho?
Houve silêncio. Pequeno, tenso, como se ela estivesse presa entre pedir desculpas e temer a reação que eu teria em seguida.
— Senhor… eu… eu…
— Júlia não assinou o contrato. Continuei, cada palavra mais firme que a próxima.
— E eu estou furioso com isso. Eu a quero. E estou em negociação com a Carolina. FIQUE atenta desta vez. Faça o seu trabalho direito. E não permita que Júlia faça ou receba ligações do Brasil. Entendido?
— Sim, senhor.
Ela respondeu rapidamente, a voz agora trêmula.
— Isso não vai mais se repetir.
— Eu espero.
Finalizei, seco, antes de encerrar a ligação sem desejar boa noite ou permitir qualquer outra resposta.
Joguei o celular sobre a mesa por um instante, respirei fundo, mas a irritação continuava. Não era comum encontrar obstáculos nos meus desejos. Não era comum ter que negociar. E principalmente… não era comum alguém me dizer “não”.
Mas Carolina me forçava a admitir uma verdade amarga: eu perderia Júlia se não agisse com estratégia.
Ela era uma brasileira teimosa, esperta, que sabia jogar com as cartas que possuía. E eu sabia jogar melhor, embora pela primeira vez estivesse sentindo o gosto incômodo de uma derrota parcial.
Peguei o celular novamente. Dessa vez, liguei para ela.
Ela atendeu imediatamente, como se estivesse esperando minha ligação. Eu podia quase ouvir o sorriso irritante dela do outro lado.
— Sheik?!
Disse ela, com aquela calma provocadora.
Já pensou? Eu sabia que não era uma escolha difícil. E então?
Eu cerrei os dentes. Eu sabia que ela estava se divertindo com aquilo, e isso me irritava ainda mais. Mas eu precisava concluir essa negociação.
— Tudo bem, Carolina.

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