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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 35

Eu ainda sentia a raiva pulsando nas veias, aquela fúria quente que parecia subir do estômago até o peito, queimando cada pensamento de forma descontrolada.

A ligação com Carolina tinha terminado há poucos minutos, mas a sensação de ter sido desafiado continuava martelando dentro de mim.

Eu não estava acostumado a ser contrariado, ainda menos por uma mulher que mal conhecia minha força, minha influência e o alcance do meu poder. Carolina podia ter coragem, mas era estúpida.

Peguei o celular de novo. Eu sabia que já era madrugada, mas não me importei nem por um segundo. Se algo estava fugindo do controle, eu exigia resposta imediata, então, liguei para a Nádia.

Nádia demorou alguns segundos para atender, e quando o fez, a voz dela saiu baixa, arrastada, ainda tingida pelo sono, mas havia medo ali também. Medo de mim.

— Senhor… aconteceu alguma coisa?

Ela perguntou, como se já soubesse que eu não procuraria por mero capricho.

Eu respirei fundo, tentando controlar o tom, mas não consegui.

— Como é que a Carolina liga para a Júlia, incentiva ela a não assinar o contrato e eu fico sabendo disso pela recepcionista?

Grunhi.

— Eu vou ter que colocar a recepcionista para fazer o SEU trabalho?

Houve silêncio. Pequeno, tenso, como se ela estivesse presa entre pedir desculpas e temer a reação que eu teria em seguida.

— Senhor… eu… eu…

— Júlia não assinou o contrato. Continuei, cada palavra mais firme que a próxima.

— E eu estou furioso com isso. Eu a quero. E estou em negociação com a Carolina. FIQUE atenta desta vez. Faça o seu trabalho direito. E não permita que Júlia faça ou receba ligações do Brasil. Entendido?

— Sim, senhor.

Ela respondeu rapidamente, a voz agora trêmula.

— Isso não vai mais se repetir.

— Eu espero.

Finalizei, seco, antes de encerrar a ligação sem desejar boa noite ou permitir qualquer outra resposta.

Joguei o celular sobre a mesa por um instante, respirei fundo, mas a irritação continuava. Não era comum encontrar obstáculos nos meus desejos. Não era comum ter que negociar. E principalmente… não era comum alguém me dizer “não”.

Mas Carolina me forçava a admitir uma verdade amarga: eu perderia Júlia se não agisse com estratégia.

Ela era uma brasileira teimosa, esperta, que sabia jogar com as cartas que possuía. E eu sabia jogar melhor, embora pela primeira vez estivesse sentindo o gosto incômodo de uma derrota parcial.

Peguei o celular novamente. Dessa vez, liguei para ela.

Ela atendeu imediatamente, como se estivesse esperando minha ligação. Eu podia quase ouvir o sorriso irritante dela do outro lado.

— Sheik?!

Disse ela, com aquela calma provocadora.

Já pensou? Eu sabia que não era uma escolha difícil. E então?

Eu cerrei os dentes. Eu sabia que ela estava se divertindo com aquilo, e isso me irritava ainda mais. Mas eu precisava concluir essa negociação.

— Tudo bem, Carolina.

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