O relógio marcava sete horas da manhã no Brasil quando finalmente fiz a ligação.
Para mim ainda era madrugada, mas eu não havia pregado os olhos.
Meu humor não tinha melhorado.
Minha paciência, muito menos.
Eu queria respostas. E as teria.
A chamada tocou duas vezes antes de ser atendida.
— Bom dia, Sheik, ou melhor… para você ainda é noite.
Disse Carolina, com aquela voz carregada de ironia.
— O que faz você me ligar tão cedo? Veio tratar do retorno da Júlia? Seu tempo está chegando ao fim.
A audácia dessa mulher.
— Carolina, Carolina…
Murmurei, apoiando o cotovelo no braço da poltrona.
— Eu havia esquecido que não se pode subestimar um brasileiro.
Ela franziu a voz, como se minha frase tivesse acendido um alerta.
— Do que você está falando?
— Estou falando da sua ousadia em ligar para a Júlia a incentivando a não assinar o contrato comigo.
Rebati, deixando cada palavra sair lenta e afiada.
— Você sabe muito bem que posso destruir você… e a sua agência.
Uma pausa. Um suspiro do outro lado da linha.
Ela não estava assustada, estava calculando.
— A Júlia foi passar apenas uma semana com você, Sheik.
Ela respondeu, firme.
— Ela é minha funcionária, foi você que agiu de má fé comigo. E sobre sua ameaça… o mesmo vale para você.
Meu sangue ferveu.
Fechei os olhos por um segundo antes de explodir.
O copo que eu segurava encontrou o chão com um estalo seco.
Os cacos se espalharam como minha paciência.
Do outro lado, Carolina ouviu.
— Que barulho foi esse?
Ela perguntou, e percebi um leve divertimento na voz.
— Tenha calma, Sheik. As coisas ainda podem ser resolvidas.
— Não vejo nenhuma solução além de ter a Júlia para mim.
— E como eu já disse, Júlia é minha funcionária...
Carolina repetiu.
— Se quer exclusividade com ela, pague por isso.
Eu respirei fundo, sentindo a tensão acumular no pescoço.
— Quanto você quer?
Minhas mãos estavam espalmadas nos braços da poltrona.
— Me diga o valor e eu lhe darei.
— A Júlia não pode ser sua por completo, Sheik.
A calma dela era ensurdecedora.
— O que posso negociar com você são períodos de exclusividade.
— Não.
Minha voz saiu grave, baixa, perigosa.
— Eu a quero para mim.
— Você parece estar esquecendo que ela é um ser humano...
Disse ela, sem elevar o tom.
— E seres humanos têm liberdade de escolha. O que você pode comprar é o tempo de trabalho dela, não a pessoa dela.
Eu bati a mão na mesa.
— Desse jeito eu não quero.
— Então coloque Júlia no primeiro voo quando seu prazo acabar.
Retrucou...
— Porque aqui, já tenho milhares de clientes esperando por apenas uma oportunidade com ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: UMA VIRGEM PARA O SHEIK