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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 32

SHEIK

*

Saí da suíte com os passos firmes e a mente tomada por uma certeza incômoda, alguma coisa havia acontecido para Júlia mudar de ideia. Não fazia sentido. Absolutamente nenhum. Ela podia não ter dito “sim” ao meu acordo, mas também não tinha dito “não”. E, sinceramente, quem em plena consciência colocaria em risco a vida da própria mãe quando tinha uma solução tão simples diante dos olhos? Uma solução que só dependia de uma assinatura. Uma única palavra.

Aceitação.

Mas não, ela tinha recuado. E isso me corroía.

Apertei os dedos ao redor do celular enquanto caminhava até o elevador. Entrei no espaço fechado, pressionei o botão para o térreo e fixei meu reflexo no aço escovado da porta. Minha respiração estava pesada, e eu podia sentir a irritação queimando sob minha pele.

— Como isso está acontecendo? Murmurei para mim mesmo, com a mandíbula cerrada.

— Eu sou um Sheik. Tenho o poder de acabar com a vida dessa garota… atrevida e insolente.

A porta se abriu e saí do elevador como um animal encurralado, pronto para atacar. Eu estava furioso, mas mais do que isso, me sentia afrontado, rejeitado.

Pela primeira vez em anos, alguém ousava tentar fugir do meu controle.

E esse alguém… era ela.

Passei pela recepção com passos rápidos. Meu foco era o carro, o estacionamento, o ar externo que talvez me ajudasse a organizar o turbilhão dentro de mim. Mas fui interrompido por uma voz insistente atrás de mim.

— Com licença, senhor… eu poderia conversar com Vossa Excelência?

Fechei os olhos por um instante. Não havia nada que eu quisesse menos naquele momento do que lidar com alguém do hotel.

Girei apenas o rosto, sem esconder o desgosto.

— Agora não.

Mas a mulher insistiu, com uma ousadia que eu não esperava.

— Senhor, perdoe a ousadia, mas é importante.

Parei, respirei fundo, tentando não explodir ali mesmo. Lancei um olhar frio para ela.

— Seja rápida.

A funcionária engoliu seco antes de continuar.

— A sua hóspede recebeu uma ligação do Brasil..

Começou, e eu imediatamente senti o sangue quente correr pelas veias.

— A Sta. Nádia havia falado que, qualquer coisa suspeita, eu deveria avisar. E que era para eu ficar atenta a tudo. Por esse motivo, tomei a liberdade de ouvir o conteúdo da conversa.

Olhei para ela com a sobrancelha levemente arqueada, mas por dentro uma eletricidade se acendeu em alerta.

Então era isso.

— Continue...

Ordenei.

— Era uma mulher chamada Carolina.

Disse a recepcionista.

— Ela estava incentivando a Júlia a não assinar um suposto contrato com o senhor. Disse que cuidaria da mãe da Júlia se ela aceitasse trabalhar para ela.

Por um momento, tudo ao meu redor pareceu silenciar. Como se a realidade tivesse parado apenas para que eu pudesse absorver o veneno daquela informação.

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