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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 31

A revelação da Nádia parecia ecoar repetidas vezes dentro da minha cabeça, como se cada palavra pudesse me destruir mais um pouco. Fiquei ali, imóvel, tentando acreditar que aquilo era só um pesadelo muito bem arquitetado, mas a dor no meu peito era real demais para ser um sonho.

Senti a respiração falhar. O ar se tornou inimigo. Corri para o banheiro com as mãos trêmulas e, assim que me ajoelhei diante da privada, toda a comida que havia acabado de ingerir foi forçada para cima. Eu soluçava enquanto vomitava, como se meu corpo estivesse tentando expulsar não só o café da manhã, mas o terror, o desespero, a revolta.

Me apoiei nas bordas frias da pia, tentando controlar a tontura. O reflexo no espelho era o de uma estranha, olhos inchados, vermelhos, completamente perdidos. Abri a torneira com violência e lavei a boca, depois afoguei o rosto em água fria, esperando que aquilo me acordasse para outra realidade. Mas quando ergui o olhar novamente, ela continuava ali, a nova versão de mim, a prisioneira.

Caminhei até a cama, onde o celular ainda estava. Minha mão tremia tanto que quase o deixei cair. Apertei o visor e abri a conversa com Carolina, sentindo o coração martelar nas costelas.

Digitei com uma mistura de raiva e desespero...

— Carolina, você me enganou. Você me fez assinar um contrato com você dizendo que a intenção era me livrar do Sheik, e agora me entrega de bandeja para ele. Que tipo de ser humano é você? Desfaça isso. Eu preciso ficar do lado da minha mãe, eu não quero ficar aqui.

Por alguns segundos, achei que ela também me deixaria no vácuo novamente, mas a resposta chegou rápido. Fria. Cruel. Calculada.

“No contrato diz que você não pode recusar trabalho, e você mesma disse que pretendia pagar a dívida em um ano. Você deixou claro que faria o que fosse necessário. Então fiz o que seria bom pra você e pra mim, em um ano, você paga tudo e ainda sai com uma boa fortuna para recomeçar sua vida onde quiser, e ainda poderá oferecer qualidade de vida para sua mãe. Não me trate como vilã, Júlia… eu estou ajudando você.”

As lágrimas vieram com força. Como se eu já não tivesse chorado o suficiente. As lágrimas doíam, ardiam. Não pelo dinheiro, não pela dívida, mas por ela distorcer tudo que eu havia dito a meu favor. Ela jogava minha dor contra mim, como se fosse um argumento de negócios.

Respondi com os dedos praticamente esmagando a tela...

— Você e esse Sheik maldito são uns doentes! Você consegue ser pior do que ele! Será que você não entende que presa aqui eu não vou conseguir ver a minha mãe? Nem cuidar dela? Nem saber se ela estará viva amanhã? Nem tudo é sobre dinheiro, Carolina! Tenha um pouco de humanidade!

O celular vibrou.

“Um dia você vai me agradecer, Júlia. O contrato com o Sheik já foi assinado. Você é dele por um ano.”

Eu senti o mundo escurecer. Como pode uma pessoa ser tão podre?

Escrevi com cada pedaço da minha indignação...

— Eu jamais vou ter motivos para agradecer se minha mãe morrer sem que eu possa vê-la. E se isso acontecer… eu juro que vou usar tudo que eu tiver para acabar com você.

A mensagem foi enviada. Entregue. Visualizada.

Sem resposta.

Joguei o celular longe e levei as mãos ao rosto, prendendo o choro que já não cabia mais dentro de mim. Minha respiração se tornava mais curta, mais desesperada, como se eu estivesse sufocando dentro daquele hotel luxuoso, que agora era apenas uma prisão dourada.

Foi então que ouvi a porta se destrancar. Um clique frio. Meu coração parou por um segundo. As passadas ritmadas ecoaram pelo quarto, pesadas, sem pressa. Eu sabia exatamente quem era, mesmo antes de vê-lo.

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