Eu continuei sem resposta pelo restante do dia.
A noite inteira foi um tormento.
Eu me virava na cama como se estivesse deitada sobre arame farpado, e cada pensamento me espetava mais do que o anterior. O silêncio do celular era uma sentença. A falta de respostas da Carolina… como alguém simplesmente desaparece quando tem uma vida em mãos? A minha vida.
Eu dormia por segundos e acordava assustada. Imaginava passos no corredor. Imaginava o Sheik entrando no quarto de repente. Imaginava minha mãe piorando e eu sem poder nem ao menos saber.
Quando o sol finalmente se arrastou para dentro do quarto através das cortinas, eu ainda estava de olhos abertos.
Era outro dia, era mais um dia...
E tudo continuava igual.
Ou pior.
Pedi o café da manhã sem pensar no que exatamente eu estava pedindo. Eu só queria fingir que alguma rotina existia para mim. Quando o carrinho chegou, eu mal senti o cheiro da comida. Comi qualquer coisa só para não desmaiar. A cada garfada, eu engolia junto a sensação de estar completamente presa num labirinto sem saída.
Peguei o celular mais uma vez. Eu já sabia que a Carolina provavelmente não responderia, mas a esperança é a pior inimiga quando você quer desistir.
Digitei rapidamente:
“O que está acontecendo? Por que você não me responde?”
Enviei.
Fitei a tela.
Nada.
Aquela ausência de resposta tinha um peso físico… como se alguém estivesse apertando meu peito por dentro, devagar, só para ver até onde eu aguentaria.
Soltei o celular com força na cama. Quase arremessei. Quase deixei a raiva tomar conta de mim completamente.
Foi quando ouvi batidas na porta.
Meu coração saltou. Por um instante, achei que fosse ele. Que aquele momento tivesse chegado, mas ele não bateria, ele entraria sem pedir licença. As minhas mãos ficaram frias, as pernas, bambas.
Abri a porta de supetão e encontrei Nádia.
Séria.
Não a seriedade costumeira.
Era algo mais duro, mais tenso… um aviso escrito no rosto dela.
— Até que enfim...
Soltei, sentindo minha voz trêmula. — Onde você se meteu?
Ela entrou sem pedir licença. Sem um sorriso. Sem uma tentativa mínimo de parecer simpática.
A porta fechou atrás dela com um estalo que arrepiou a minha espinha.
— Júlia…
Começou.
— Você não recebeu treinamento sobre seu comportamento na presença do Sheik?
A forma como ela falou “Sheik” fez meus nervos reagirem, como se fosse o nome de um predador.
— Recebi, sim...
Respondi, mais irritada do que deveria.
— Eu precisaria ser um robô. Mas eu não consigo ser. E o que isso tem a ver com o seu sumiço?
— Nada.
Ela cortou.
— Mas tem a ver com a sua nova realidade.
Meu estômago afundou.
— Nova… realidade?
Perguntei baixinho.
— Do que você está falando?
Nádia arqueou a sobrancelha, como quem não acreditava na minha ignorância.
— Ah…
Disse ela, cruzando os braços.
— Carolina ainda não avisou você?
Senti o chão escorregar.
— Avisar o quê?
Minha voz quase não saiu.
— Eu não estou entendendo…
Nádia deu dois passos na minha direção. Ficou tão próxima que pude sentir o perfume dela, fresco e totalmente deslocado daquela conversa sufocante.
E então ela disse:

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