Eu mal conseguia respirar direito enquanto encarava a tela do celular, pensando no que eu deveria fazer, então, mandei a mensagem para Carolina com os dedos tremendo, quase incapaz de pensar com clareza...
“Descobriram que você me ligou, e de alguma forma sabem o conteúdo da conversa. A Nádia disse que eu estou encrencada, que o Shaik pode usar o poder e a influência dele para me prejudicar, o que eu faço Carolina?”
Depois disso… nada.
Minutos viraram mais minutos, horas se arrastaram como se o relógio tivesse se aposentado definitivamente. Nenhuma resposta. Nenhuma visualização. Nada que me desse um fôlego para acreditar que não estava totalmente sozinha nessa.
Aquilo não fazia sentido.
Carolina sempre respondia rápido, principalmente quando o assunto era dinheiro. E eu sabia que meu corpo era uma mina de ouro para ela. Se ela estava em silêncio, só podia significar uma coisa, ela estava planejando alguma coisa ou estava tão encrencada quanto eu.
Eu me obriguei a ficar calma. Fui até o tablet acoplado na parede e pedi qualquer coisa para comer. Não era fome, era necessidade. Meu corpo estava sustentando todo aquele medo, e isso me exauria mais do que qualquer peso psicológico.
Quando a comida chegou, eu apenas empurrei algumas garfadas garganta abaixo. O gosto parecia cinza. Nada mais tinha sabor em Dubai.
Mas eu tinha uma coisa pendente, a mensagem do médico da minha mãe.
Eu precisava respondê-lo e ter notícias da minha mãe, eu precisava saber se a Carolina havia cumprido o nosso acordo.
“Olá, desculpe a demora em responder sua mensagem. Infelizmente estou em Dubai e estou impossibilitada de retornar ao Brasil agora, mas acredito que a pessoa que está me representando já fez o pagamento do novo tratamento. Se o senhor puder me dar notícias de como está a minha mãe, agradeço.”
Enviei. Prendi o ar. Esperei.
Esperei.
Esperei.
E… silêncio.
Nada.
Uma parte de mim quis acreditar que talvez fosse o fuso horário. Ou que o médico estivesse ocupado. Mas outra parte, a parte que estava apavorada, me lembrava que tudo poderia estar desmoronando nas minhas costas, sem que eu pudesse fazer nada.
Eu precisava ouvir alguma voz familiar. Precisava do Brasil. Precisava da minha vida de volta, nem que fosse por alguns minutos.
Peguei o telefone do quarto e disquei para a recepção...
— Boa tarde, aqui é a Júlia...
Tentei soar firme, mesmo com a voz trincando.
— Eu gostaria de fazer uma ligação internacional para o Brasil.
Houve alguns segundos de silêncio, até a atendente responder com a voz mais suave do mundo, como se quisesse acolher o desastre que estava prestes a cair sobre mim...
— Boa tarde, Srtª Júlia… Infelizmente não estou autorizada a fazer isso.
Meu coração caiu dentro do peito.
— Como assim?
Murmurei, incrédula.
— O Sheik proibiu qualquer ligação para o Brasil.
Respondeu ela, quase sussurrando.
Aquilo acendeu algo em mim. Irritação, indignação,ou talvez puro desespero.
— Isso é um absurdo!

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