Já passava da madrugada quando finalmente aceitei o que meu corpo e minha mente já haviam decidido horas antes.
A virgindade daquela garota seria minha.
Passei dias cercado por rotinas frias, por jantares silenciosos, por uma esposa que me negava tudo, até a dignidade masculina de ser desejado. Mas bastou um pop-up, uma fotografia, para que um desejo novo surgisse, não apenas desejo, mas, posse.
Cliquei naquele perfil mais uma vez, analisando cada detalhe como quem avalia um diamante raro. O mundo havia me dado poder o suficiente para conseguir o que quisesse. E naquele momento, eu queria Júlia.
Peguei o telefone e liguei para a agência brasileira. No Brasil, já era manhã. Do outro lado da linha, uma voz feminina, profissional, porém com traços de euforia assim que mencionei o nome do meu país e o valor que estava disposto a pagar.
— A virgindade dela tem preço alto, e já tem uma fila querendo o mesmo que você.
Disse a mulher, como se testasse meus limites.
— Eu não perguntei o preço. Apenas diga quanto é.
Ela riu, satisfeita, reconhecendo imediatamente o tipo de homem que eu era,
um que não aceitava “não” como resposta.
O valor poderia sustentar metade de uma família durante anos. Um número obsceno, até mesmo para mim. Mas não hesitei.
Fechei o acordo. Fiz a transferência. Ordenei sigilo absoluto.
Nada a respeito dela, nem nome completo, nem localização, escaparia para ninguém além de mim.
Eu teria até sete dias para fazer tudo o que eu quisesse com ela.
Quando a chamada terminou, fiquei apenas observando a foto.
Os lábios dela, a pele suave, a ilusão de pureza que provocava algo dentro de mim que eu julgava morto.
Júlia. Você será minha.
Repeti isso em pensamento como um juramento.
Os dias seguintes foram tortura e prazer ao mesmo tempo.
Eu acordava de madrugada apenas para esperar o horário brasileiro e entrar em contato com a agência.
A responsável me informava cada passo:
Passaporte.
Documentação.
Passagem.
Hospedagem, escolhida por mim.
Chegada discreta.
Eu dominava tudo, até o ar que ela respiraria ao pousar neste país.
Enquanto isso, Laura me observava de longe.
Ela percebia que algo acontecia, mas nunca soube perguntar da forma correta.
Sempre preferiu o orgulho ao confronto.
Até que, finalmente, recebi a mensagem que tanto esperei da Nádia, a pessoa que eu mesmo designei para recebê-la.
“Ela chegou no hotel escolhido. Está se preparando para a noite com você "
Combinei direitinho o horário com ela, pois deveria ser em um que ninguém me visse chegar.
Meu sangue pareceu ferver. A espera tinha acabado.
Me levantei do escritório, respirei fundo, com uma ansiedade que não senti nem no dia em que fui coroado Sheik.
Ia conhecê-la. Ia sentir o cheiro do medo e da inocência misturados na pele dela. Ia marcar território antes que qualquer coisa pudesse dar errado.
Quando a noite chegou, me arrumei, coloquei um perfume amaiderado, enquando Laura me observava em silêncio.
Ela me fitava com os olhos semicerrados, desconfiados.
— Para onde você vai a essa hora? Sua voz estava calma, mas firme.
Há dias você vive de conversas escondidas, como se estivesse escondendo algo de mim.

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