O final da noite para o início da madrugada em Dubai sempre foi a melhor parte do meu dia. É o momento em que todos se calam e eu posso existir sem testemunhas.
Mas, naquela noite, meu silêncio interno estava quebrado. O desejo crescia como um incômodo inevitável.
Cruzei as portas do hotel cinco estrelas sem olhar ao redor. Meu nome e minha presença já bastavam para que todos baixassem a cabeça. Caminhei até a recepção, onde Nádia me aguardava. Discreta, porém eficiente. Exatamente como eu exijo.
— Ela está pronta, Excelência. Disse, com a voz baixa e profissional.
— Seguiu todas as instruções? Perguntei, mantendo meu tom frio, sem demonstrar o que eu realmente queria saber.
— Sim. Tomou o banho aromático que o senhor pediu. Está completamente depilada. Usando a lingerie vermelha que foi entregue…
Ela fez uma pausa breve...
E está no quarto, aguardando a sua chegada, exatamente como orientado.
Assenti uma única vez. Sem agradecimentos. Sem gentilezas.
O elevador abriu. Entramos.
Só então Nádia acrescentou, com uma curiosidade que tentou disfarçar:
— Ela é… muito bonita.
— Eu não pago por beleza. retruquei, seco.
— Pago por exclusividade.
Um leve brilho surgiu nos olhos dela. Talvez surpresa. Talvez julgamento. Não me importei.
Quando chegamos ao andar reservado, ela caminhou na frente, abrindo o caminho até a porta da suíte. Antes de girar a maçaneta, me olhou...
— Se precisar de algo, estarei no hall.
— Não vou precisar.
Afirmei, sem desviar o olhar.
A porta se abriu, e o silêncio me recebeu. Um silêncio diferente. Vivo. Quase hostil.
Nádia se retirou, e eu caminhei até encontrar o motivo do meu desejo.

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