A noite caía pesada sobre Dubai, e eu finalmente retornava depois de compromissos que pareciam não ter fim.
A cidade brilhava lá fora, cheia de luzes e ruídos, mas meu mundo permanecia silencioso, encapsulado em minhas próprias regras e desejos.
Jantei sozinho, já tarde, um ritual mecânico de movimentos sem prazer, e senti a familiar sensação de vazio se instalar.
Subi para o quarto, encontrando Laura dormindo. A camisola transparente que vestia delineava cada curva de seu corpo, cada linha desenhada por anos de obediência e desejo contido.
Por um instante, o calor subiu dentro de mim. Precisava dela. Mas também sabia que ela resistiria, sempre resistia. Tomei um banho rápido, permitindo que a água quente lavasse apenas o cansaço do dia. O desejo, aquele, não se lavava tão facilmente.
Deitei atrás dela, a envolvendo em meus braços. O corpo dela estava frio contra o meu, mas a respiração morna traía algum calor interno. Quis mais, como sempre, sedento pelo toque que me lembrasse que ainda havia domínio sobre algo que podia ser meu.
— Me deixa em paz.
Murmurou Laura, virando o rosto para longe de mim.
A raiva subiu, quente e rápida, um fogo antigo que ninguém podia apagar.
— Você não me satisfaz.
Disse, a voz baixa, quase cruel.
— Você não faz o que uma esposa deve fazer.
Ela riu, ou melhor, soltou um som carregado de desdém.
— Então vá para os buracos das suas concubinas. Para isso você as trouxe, não foi?
Disse, firme, sem medo.

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