SHEIK
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Existem noites em que o silêncio do meu quarto parece falar mais alto do que qualquer voz que já ouvi.
Ele sussurra tudo aquilo que ninguém ousa dizer, que poder não significa paz, que obediência não significa respeito, e que vitória, muitas vezes, é apenas outra palavra para solidão.
Desde pequeno me ensinaram que homens do meu sangue não amam. Amores são fraquezas que os inimigos sentem no ar.
Meu pai repetia isso enquanto apontava para o mapa do reino, mostrando fronteiras que não podiam ruir por causa de um coração mole.
Cresci sendo preparado para comandar, não para sentir.
E quando o destino exigiu que eu me casasse, não me perguntaram se eu queria. Apenas assinaram papéis, apertaram mãos, brindaram em mesas longas demais para caber alguém com vontade própria. Assim, Laura entrou na minha vida.
Ela era linda, ainda é, como uma obra de arte destinada a ser admirada, mas jamais tocada com carinho.
Seu sorriso sempre pareceu treinado demais, como se tivesse sido ensinado por alguém que também nunca soube sorrir de verdade. Ela sabia que nosso casamento era moeda de troca, e eu sabia que ela também carregava suas cicatrizes invisíveis.
No início, ela se submetia aos meus desejos porque era isso que esperavam dela. Era isso que o papel de “esposa do Sheik” exigia. Ela aceitava a cama como território político, onde o prazer não tinha espaço, apenas dever.
Mas ninguém consegue viver sufocado por tempo demais.
A rebeldia dela não veio por gritos. Veio em silêncio. Em olhares duros. Em virar o rosto quando eu a procurava. Em negar o corpo como forma de declarar guerra.
Foi nesse momento que a frieza dentro de mim encontrou uma nova porta para se expandir.
Eu poderia obrigá-la a deitar comigo. A lei me daria esse direito. Mas eu não queria um corpo entregue por medo. Eu queria controle. Queria lembrar a mim mesmo que o mundo ainda se curvava ao meu poder, mesmo que minha própria esposa não o fizesse.
Por isso as concubinas entraram na minha vida.

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