Ele deu um passo na minha direção, e o ar pareceu ficar pesado.
O silêncio entre nós era denso, quase palpável, e eu podia sentir o cheiro do perfume dele misturado com raiva.
Meu corpo tremia, mas eu não podia recuar.
Eu sabia o que estava em jogo e não era apenas um contrato. Era a minha vida.
Era a minha mãe.
As únicas coisas que ainda me restavam.
— O que você disse?
Ele perguntou, com a voz fria, arrastada, quase um sussurro perigoso.
Engoli em seco, mas mantive o olhar firme.
Me levantei da cama e fiquei cara a cara com ele.
Meu coração parecia querer fugir do peito, mas minhas palavras saíram inteiras, sem hesitar.
— Foi exatamente isso que você entendeu.
Respondi, sem baixar o tom.
— Eu não vou assinar. Vim aqui pra te dar o que você pagou pra ter. Depois disso, vou voltar pro meu país e cuidar da minha mãe, enquanto eu ainda puder.
O maxilar dele travou.
Ele deu uma risada seca, quase debochada.
— Não seja ridícula, Júlia.
Disse, aproximando o rosto do meu.
— Você nem tem dinheiro pra pagar o tratamento dela.
A provocação doeu mais do que eu esperava, mas também me acendeu uma força estranha.
Talvez fosse o orgulho. Talvez fosse o desespero.
Ou talvez eu simplesmente estivesse cansada de ser tratada como um objeto.
Dei um passo à frente e o encarei de volta, o mais perto que pude.
Consegui sentir a respiração dele contra o meu rosto.
— Você acha que só existe você de milionário no mundo?
Perguntei, firme.
— Que tudo o que eu tenho de útil é a minha virgindade?
Os olhos dele escureceram.
A mudança foi quase imediata.
Aquele olhar frio e arrogante se transformou em algo mais sombrio, perigoso.
Antes que eu pudesse me afastar, ele me segurou com força pelo braço.
A dor foi instantânea.
Senti os dedos dele cravarem na minha pele.
— Para mim, agora, nem isso vale tanto.
Disse entre os dentes.
— Mas como já paguei, vou fazer valer cada centavo.
Por um momento, achei que ele fosse me empurrar, ou pior.
Mas o que veio depois foi puro instinto.
Eu queria mostrar pra ele que não tinha medo, mesmo que fosse mentira.
Puxei o braço com força, me soltei e, num impulso que nem eu entendi, tirei a roupa que vestia.
A camisola escorregou pelos meus ombros e caiu no chão.
Fiquei completamente nua diante dele.

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