A noite foi interminável. Cada hora parecia durar uma eternidade, e eu me virava na cama sem conseguir encontrar descanso.
O choro não parava, soluços curtos e desesperados escapavam do meu peito, e cada vez que me deitava, o peso da situação parecia me esmagar ainda mais.
Minha mente girava em círculos, o Sheik, o acordo, a minha mãe, tudo se misturava numa confusão que me deixava exausta e sem ar.
Quando o primeiro raio de sol passou pelas cortinas pesadas, senti que precisava me mover. Cada músculo do meu corpo doía, e meus olhos ainda estavam inchados e vermelhos de tanto chorar.
Me arrastei até o banheiro e deixei a água quente cair sobre a pele. O calor deveria acalmar alguma coisa, mas tudo que senti foi o reflexo do meu rosto no espelho me assustar.
Meus olhos inchados, olheiras profundas, lábios ressecados, parecia que o choro tinha marcado meu rosto de forma permanente. Eu mal me reconhecia. Por um instante, desejei que alguém aparecesse e dissesse que tudo não passava de um pesadelo, mas ninguém estava ali para fazer isso. Eu estava sozinha, novamente, diante do peso da escolha que precisava fazer.
O lanche chegou pouco depois, mas eu não consegui comer nada. Apenas sentei na poltrona, encarando o prato intacto, sentindo um vazio profundo. Cada minuto que passava aumentava o aperto no peito, e a urgência da situação com a minha mãe se misturava à raiva e ao medo que ainda sentia do Sheik.
O médico precisava de uma resposta, e o tempo que eu perdia significava colocar a vida da minha mãe em risco.
Respirei fundo, tentando afastar o nó na garganta. Era totalmente insano, e mesmo assim, não tinha escolha. Minhas mãos tremeram ao pegar o celular. Digitei a mensagem para a Nádia, hesitando por alguns segundos antes de enviar.
"Quero conversar pessoalmente com o Sheik sobre o acordo. Estarei na suíte esperando."
A resposta de Nádia veio quase imediatamente.
"O Sheik é um homem muito ocupado, provavelmente não aceitará ir até você pela manhã."
Suspirei, sentindo o desespero tentar me dominar de novo, mas forcei a voz firme em minha mente. Digitei rapidamente:
"Se ele quer mesmo que eu aceite, terá que vir. Não vou esperar mais."
Desliguei o celular. Não queria que Nádia tentasse argumentar ou me convencer a desistir. Precisava que o Sheik viesse até mim. Precisava olhar nos olhos dele e tomar a decisão com clareza, por mais insana que fosse.
Vesti uma roupa confortável, uma camiseta larga e short, e me sentei na poltrona perto da janela.
A luz suave do amanhecer entrava pelas cortinas, mas não iluminava o turbilhão dentro de mim.

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