Me levantei da poltrona devagar, sentindo as pernas trêmulas, mas a coragem crescendo dentro de mim como uma chama alimentada pela raiva.
Ele me observava, imponente, como se soubesse que eu não teria forças para enfrentá-lo. Só que ele estava errado.
Caminhei até ficar frente a frente com ele, tão perto que podia sentir o perfume amadeirado e frio que sempre o acompanhava.
Levantei o queixo, o encarando de igual para igual.
— Enquanto você faz piadas com a minha dor...
Falei, a voz embargada, mas firme. — A minha mãe está correndo o risco de morrer. Engraçado, não é? A dor de alguém pra você é só um motivo pra zombar.
O sorriso dele desapareceu instantaneamente. O rosto do Sheik endureceu, e por um breve instante o silêncio pareceu pesar no ar.
Ele deu um passo à frente, e a sombra dele cobriu meu corpo inteiro.
— Você parece esquecer o seu lugar, Júlia.
A voz dele saiu baixa, fria, cortante.
— Você é apenas um produto que eu resolvi comprar para usar. E pra um produto, está fazendo exigências demais.
Senti o estômago se contrair, o peito arder, e antes que pudesse me conter, as lágrimas começaram a se formar.
Engoli o choro com raiva e respondi, olhando diretamente nos olhos dele:
— Então vamos fazer um outro acordo.
Ele arqueou uma sobrancelha, curioso.
— Se eu fizer você se apaixonar por mim…
Respirei fundo, sentindo a coragem quase me abandonar, e deixar de ser apenas um produto para você, você vai me dar o direito de escolha.
A escolha de ficar… ou ir embora.
Por um segundo, ele apenas me encarou, até que uma risada rouca e alta rompeu o silêncio.
Uma risada de deboche, arrogante, cruel.
A risada dele me atravessou como uma lâmina, queimando tudo por dentro.
— Se apaixonar por você?
Ele repetiu, ainda rindo.
— Isso jamais vai acontecer, Júlia.
A expressão dele se tornou sombria, quase entediada.
— Eu já tenho uma esposa. E, além dela, duas concubinas.
Me deixe adivinhar, achou mesmo que seria especial?

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