O som de batidas na porta fez meu coração disparar. Minhas mãos ainda tremiam, e meus olhos, vermelhos de tanto chorar, refletiam o cansaço e a raiva acumulados da noite.
— Júlia, sou eu, Nádia.
— Ele não pode me manter aqui! Quase gritei, correndo para a porta. — Minha mãe precisa de mim! Isso é loucura!
Nádia fechou a porta atrás de si, com calma, mas firme.
— Júlia… senta, por favor. Precisa se acalmar.
Disse, colocando as mãos nos quadris e me olhando com aquela paciência que irritava ainda mais.
— Não quero sentar!
Disse, já respirando de forma descompassada.
— Só me diga o que ele disse!
Ela suspirou e, por um instante, pareceu pesar cada palavra.
— O Sheik… ele quer fazer um acordo com você.
Meu estômago contraiu. Um acordo?
— Que tipo de acordo?
Perguntei, tentando manter a voz firme, mas falhando miseravelmente.
Nádia respirou fundo.
— Ele quer que você se torne a concubina dele. Em troca, ele pagará todo o tratamento da sua mãe, custeará pensão e cuidará de tudo que você precisar. Mas, você terá que permanecer em Dubai, e não poderá sair do país sem a permissão dele.
Aquelas palavras caíram sobre mim como uma lâmina afiada. Concubina. Dubai. Prisão legalizada em troca da vida da minha mãe. Senti o ar faltar, a cabeça girar.
— O que exatamente uma concubina faz?
A minha voz saiu trêmula, quase inaudível.
— Isso… isso é… ele vai me...me usar como escrava sexual? É isso?
Nádia me olhou com seriedade, como se percebesse a gravidade da minha confusão.
— Júlia, você vai viver sob o teto dele. Ele terá controle sobre você, sobre a sua rotina, sobre a sua permanência aqui, sobre o seu corpo. Ele poderá decidir o que você faz, aonde vai, mas também cuidará de você. Não é casamento. É uma relação formalizada, mas totalmente dependente da vontade dele. Na hora que ele quiser, você tem que estar disposta.
— Mas isso é impossível!
Explodi.

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