Tommáz Walker
Todos somos tomados pela surpresa quando Amélie se levanta e sai praticamente correndo da sala de reuniões, olho para a minha vó que estava tão surpresa quanto eu estava.
Fico na dúvida se deveria ir atrás dela ou não, sinto a delicadeza da mão de madame Enora Miller, tocar em meu braço no instante que me ergui.
— Tom, pode não parecer, mas a Amélie é frágil, ela precisou de um esforço enorme para chegar onde está, não a quebre. — Reconheço o olhar que vejo em minha vó.
É o mesmo que ela usa sempre que aprontávamos quando eramos criança e meu pai queria nos corrigir, vejo que a minha avó se afeiçoou pela minha dançarina, tenho certeza que a escolha foi a mais acertada de todas.
— Terei cuidado vovó. — Olho para a minha vó e viro o meu rosto para a porta. — Tenho que ir atrás dela…
Meu peito parecia haver uma britadeira acelerando os meus batimentos, sentia que ela precisava de mim, que devia estar ao seu lado e conversar sobre esse contrato, que para mim isso não significa nada, o qual é um papel que se ela quiser que seja rasgado será. A quero confiante ao meu lado e não que sofra silenciosamente devido assinatura de um contrato de casamento.
Já tenho certeza que Amélie é a minha Ella, que ela é a minha dançarina com a máscara de pavão que se exibia na porra daquele palco por míseros euros.
— Então vá atrás dela. — O sorriso gentil surge no rosto da minha vó. — Finalmente vejo o amor nascendo em seu coração.
Confirmo com a cabeça, mas ainda não sei dizer se é isso que sinto por ela, sei que tenho um interesse que me deixa desnorteado, sinto como se houve uma necessidade que apenas cresce dentro de mim a cada dia.
— Providencie tudo para podermos nos casar o mais rápido possível. — Penso, porque se estiver certo talvez já tenhamos um herdeiro a caminho.
Me despeço de todos e saio da sala e não a vejo mais na sua mesa e apenas ouvia os comentários dos outros funcionários que a viram descer pela escada, pelo tempo que fiquei na sala ela deve estar chegando no térreo, aperto o botão do elevador e tenho a sorte que ele já estava no andar.
Sinto o solavanco do elevador e me recordo de cada um dos últimos dias que a vi desfilar pelo tapete vermelho ajudando as modelos a entras no museu e ir para o staff, usando vestidos exclusivos de estilistas de alta costura. Ela estava linda em cada um dos vestidos que ela usou, atraindo atenção demais para as pernas torneadas que tem. Quando a caixa metálica se abre, saio apressado andando em direção à rua a vejo entrando em um táxi e nosso olhar se cruza.
Respiro fundo, se essa fujona pensa que escapará de mim, ela está muito enganada. Assim que o táxi que ela estava se afasta, estendo a mão e outro para na minha frente.
— Está vendo aquele táxi ali, siga-o. — Digo.
Mantenho meus olhos no carro da minha noiva em fuga e o sentimento de ter sido abandonado me toma, começo a ficar inquieto com a possibilidade de que ela não aceite o contrato, meu pé começa a ficar inquieto enquanto meus pensamentos me levam para um lugar onde o futuro não seja ao lado daquela loirinha.
A corrida não passou mais de dez minutos, ele parou um pouco mais distante e a vejo sair do carro e descer na entrada do Jardim de Luxemburgo, pago o taxista e a acompanho de longe, se ela saiu assim é porque precisa pôr as ideias no lugar, não a quero forçada ao meu lado.
No instante que me sento nas suas costas, meu desejo é apenas de a deixar confortável e protegida de tudo o que vem tirando a sua paz, além de querer me afundar na sua carne quente e apertada, quero que ela confie em mim e conte a verdade, sobre a dívida e principalmente que ela é a minha dançarina.
Me ergo do chão e a puxo para cima tirando uma risada dela, a vejo calçar os pés e sorrio para a delicadeza que há em seu jeito meigo e inocente, nada parecido com a mulher que vi na noite que me deixou enlouquecido, caminhamos de mãos dadas por todo o parque e chamo um táxi assim que chegamos a calçado. Abro a porta do passageiro para que ela possa entrar.
— Por favor, em Motte-Picquet. — Digo para o motorista.
Observo o olhar de incredulidade da mulher ao meu lado, acho que ela nem chegou a cogitar a ideia de que poderíamos morar afastados da minha família, mas a minha ideia de libertino precisaria de um lugar longe dos olhos de madame Enora, ou ela me transformaria em um eunuco.
Assim que chegamos no prédio, entro com ela para evitar sermos fotografados pelos paparazzi que provavelmente possam estar no seguindo, a vejo cumprimentar o porteiro e passo a mão por sua cintura e a conduzo para o elevador, olho irritado para o homem que olhou para as pernas da minha mulher. Pode ter certeza que amanhã ele não estará mais aqui.
Aperto o botão do último andar e como a arquitetura de Paris proíbe prédios com mais de doze andares, acabei comprando um duplex que amei pelo designer sofisticado e principalmente por ser próximo a tudo, não terei problemas com o trânsito pelo menos. Meus olhos caem em cima da mulher que batia no meu ombro, ela será a responsável pela maioria dos meus atrasos no trabalho.
O elevador para no nosso andar e a conduzo e vejo que um dos moradores estava saindo, antes que pudéssemos ver quem era destranco a porta e a puxo para dentro, ouço a sua risada.
— O que foi isso, Tom? — Ela me pergunta rindo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Procura-se Uma Noiva
Alguém tem o livro completo ?...
Boa tarde... O resto da história, estava a adorar e do nada acabou......