Tommáz Walker
Nossa vida nesse fim de semana foi cheio de expectativas e especulações, mas quando recebi a visita de Faína em meu apartamento no meio da madrugada com um olhar entristecido que nunca vi na russa. Mesmo que sejamos apenas parceiros comerciais, aprendi a respeitar a mulher que deve ter a minha idade.
Hoje será o dia que a SISU tentará pegar Jacques enquanto vou com Amélie para a Casa Miller prestigiar o desfile que a minha tia estava programando. Minha esposa estava certa que o melhor é compartilhar as informações com ela do que apenas deixar ela no escuro e esperar que as escolhas e ações dos outros deem certo e não nos machuque no meio-termo dessa situação toda.
Quando olhei para Faína sentada no meu sofá usando uma roupa escura e podia ver a sua arma na minha mesinha de centro, um painel luminoso se acendeu, mostrando que até mesmo quem acredito ser amigo, tem um lado obscuro que ainda não entendo muito bem. E para falar a verdade nem faço muita questão de entender.
Adrien e Eliot estavam em pé na frente da cozinha e pareciam tão nervoso como estava olhando para a minha visitante do meio da noite, aceno para os dois e uma dele entra na cozinha para nos dar um pouco mais de privacidade.
— Boa noite? — Pergunto olhando para Faína e só então percebo que ela está bebendo.
— Na verdade, bom dia, já passou das três da manhã! — Ela exclama virando o conteúdo do copo de uma vez.
— O que me deixa ainda mais intrigado com a sua visita, o que houve? — Ela se reclina no sofá e me olha diretamente.
— Encontramos o esconderijo, mas o Jacques escapou… — Olho para a russa e seus olhos ficam marejados.
O que me chama atenção e me preocupa que algum deles tenha se machucado durante o que tiveram que fazer. Ela me olha e seu rosto começava a ser lavado com lágrimas que nunca imaginei ver na mulher que todos dizem ter gostos peculiares.
— Não esperávamos que a “motoqueira”, surgisse na nossa invasão e pelo que percebemos a ordem dela é diferente da nossa! — Franzo as sobrancelhas e fico sem entender o que ela estava falando.
— Que motoqueira? O que realmente aconteceu Faína? Por que está aqui? — Começo a fazer perguntas uma atrás da outra e seu olhar entristecido me deixa preocupado.
Me sento ao seu lado e a puxo para um abraço, está na cara que algo aconteceu com alguém importante para ela, seu choro sai baixinho, olho para o meu segurança que entende o que preciso e o vejo sair em direção a copa.
— Você sabe que tenho uma opção sexual diferente, não é? — Ela me pergunta diretamente.
— Tinha uma suspeita, sim. — Digo observando ela respirar fundo.
— Hugo foi o único homem por quem senti algo que seja parecido ao que você sente por sua esposa. — Pelo seu olhar entristecido percebo que ele foi o atingindo.
— Quando o mobilizei ele já estava com um tiro no pé, outro no ombro, a Motoqueira apareceu do nada e acertou um tiro no abdome. — Ouço passos se aproximando e olho para a escada e Amélie aparece apenas de robe com um rosto assustado.
— O que houve? — Ela pergunta se aproximando e assim como eu, percebe como a Faína estava.
— O homem que amo está em uma mesa de cirurgia e não posso ao menos ficar perto! — Amélie senta do outro lado e põe a mão na sua coxa.
— Por que não pode ficar com ele? — Minha esposa tem mais coragem de fazer a pergunta do que eu.
— Meu pai o mataria, se ao menos souber que me deito com o inimigo. — Franzo a sobrancelha e agora, sim, minha cabeça dá um nó. — Henrique é o único além de você que sabe o quanto sou envolvida com o Hugo.
Nossa cozinheira aparece com uma bandeja e algumas xícaras e um bule, provavelmente um chá para aclamar a nossa visitante. Deixo Amélie conversar com a Faína, uma conversa entre mulheres será melhor para ela nesse momento.
Me ergo e vou em direção ao Eliot que estava ali por perto, o seu olhar desconfiado em cima da nossa visita mostra o quanto ele não confia nela ou em qualquer um dos que estão nos ajudando.
Caminho até o meu escritório e percebo que ele estava me seguindo, o que me deixa preocupado já que Amélie estava sozinha com Faína, não que me preocupasse com ela, mas com o humor que ela estava, não confio em porcento. Vou até o telefone e decido ligar para quem possa me dar alguma explicação.
Sem me importar com as horas ou se é segredo que Faína está na minha casa, ligo para o Henrique, está na hora de saber o que aconteceu essa noite. Ele já estava com o telefone na mão já que ele atendeu no primeiro toque.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Procura-se Uma Noiva
Alguém tem o livro completo ?...
Boa tarde... O resto da história, estava a adorar e do nada acabou......