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Procura-se Uma Noiva romance Capítulo 9

Amélie Petit

A cerimônia do casamento da Elisa foi lindo e sei muito bem que os planos que a madame Enora e a Noely bolaram no escritório vão começar a pôr em prática.

Porque me deixar sentada ao lado do Tommáz enquanto o casamento rolava foi algo que elas mudaram em cima da hora, já que seria Eve que sentaria ali, mas agora sentada ao seu lado e sentindo seu olhar em cima de mim, acho que elas acertaram em fazer isso.

Mas onde eu estava com a cabeça em aceitar participar disso, como posso fazer um mulherengo como ele se interessar por mim, quando ele descobrir que sou a mulher da máscara, tenho certeza que o interesse que ele criou por mim acabará. Não tenho nada a contribuir para esse casamento. Fecho os olhos ouvindo o sermão do celebrante e deixo a mente voltar para a conversa com a madame Enora.

— Minha vida nunca foi fácil, perdi a minha mãe muito cedo e em consequência disso o meu pai entrou em uma depressão profunda. — Deixo uma respiração pesada sair.

Minha adolescência é uma época que odeio me recordar, mas sei que preciso contar para elas, principalmente por elas estarem tão determinadas em me unir com um membro de sua família.

— Meu pai se entregou para a compulsão de jogos e a cada dia entravamos em um buraco de dívidas e favores, precisei desistir de algumas coisas para poder ajudar com as contar do meu pai, a sua dívida um dia ficou tão grande que ele ofereceu a minha virgindade para um dos homens que ele devia. — Faço uma pauso e observo o olhar perplexo das minhas chefes. — Naquela noite fugi de casa e passei a morar em abrigos que consegui uma vaga.

Sinto a mão de madame Enora em minha mão, sinto o seu conforto e em seu olhar não havia pena e nem julgamento, via apenas uma velhinha amável me confortando.

— Passei um ano nessa situação, até que um dia encontrei a Laura, minha amiga, ela acabou entrando para o Moulin Rouge e nunca me chamou para fazer o mesmo. — Lembro com carinho do nosso início.

— Ela começou a trabalhar em comércios, limpezas, mas como eu ainda era uma adolescente acabou tomando para si a responsabilidade que o meu pai deixou de cumprir, ela começou a se prostituir para nos dar um pouco mais de conforto e principalmente para que pudesse voltar para a escola.

Lembro do acordo mirabolante que ela quis fazer, quando me senti culpada por ela estar vendendo o corpo para pagar o aluguel e por comida na mesa.

— O que aconteceu para estar lá foi um ato desesperado, um dos credores do meu pai me encontrou uns meses atrás, e me deu um ano para pagar uma quantia enorme, me desesperei e aceitei a oferta da Laura. — Digo para elas envergonhada, coloco as mãos no rosto e deixo o choro do desespero sair.

Choro na frente das duas mulheres, sinto vergonha por precisar recorrer a essa prática para me livrar do perigo que o meu próprio pai me colocou.

— Quanto seu pai está devendo para esse homem? — Noely me pergunta com um tom um pouco mais preocupado.

— Novecentos e sessenta mil. — Ouço-a arfando quando digo o alto valor.

— Céus, e você já conseguiu juntar quanto? — Olho para elas ainda envergonhada.

— Um pouco mais de trezentos, o seu salário é muito bom, quando você me dá algumas peças exclusivas as vendo e guardo todo o dinheiro, e ontem acabei recebendo um pouco mais de dez mil. — Digo rindo para as duas que caem na gargalhada.

— Ele deu por vontade própria? — Madame Enora pergunta e apenas confirmo com a cabeça.

— Acho que ele nem sabia quanto tinha na sua carteira, ele puxou todas as notas e me entregou, ainda recebi várias gorjetas durante a minha apresentação e fora o pagamento por dançar. — Digo para as duas que podia ver o quanto estavam se corroendo de curiosidade.

— Aceite em se casar com meu neto Amélie, tenho certeza que ele não deixará nada acontecer com você. — Ouço a velhinha falar e uma gargalhada surge em meio ao meu pânico.

— Como pode me pedir para atrelar outra pessoa na mira desse louco? — Digo com sinceridade.

Com um gesto carinhoso ela apenas toca em minha mão e com seus dedos ergue meu queixo para olhar em seus olhos.

— Você não recebeu o amor de um homem de verdade querida, mas se conquistar o meu neto, tenho certeza que ele não permitirá que nada lhe aconteça, principalmente por Tom ser filho de quem é. — Observo o olhar cúmplice que as duas trocam entre si.

— E como seria isso madame? — Pergunto o óbvio.

— Um contrato bem detalhado, tenho certeza que ele providenciará um, mas quero entregar a vocês um totalmente diferente, apenas confie em mim. — Olho para o sorriso das duas e não vejo porque não confiar.

Elas sempre me ajudaram e principalmente me trataram tão bem desde que iniciei minha jornada com as Miller.

Capítulo 9 AMÉLIE PETIT 1

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