Amélie Petit
— Preciso saber o porquê a mesada, e quero a verdade. — Tommáz diz com seus olhos presos em mim.
Fico em dúvida em contar toda a verdade ou apenas uma parte, madame Enora já havia me dito que não devo contar, sobre o Jacques e nem que era a dançarina do Moulin Rouge.
— Porque tenho uma dívida, devido ao meu pai! — Afirmo olhando em seus olhos. — Mas não quero contar a história completa.
Falo meia verdade, porque não quero mentir, mesmo sabendo que essa relação não haja sentimentos, porque como Noely disse alguns dias atrás, casamentos entre grandes herdeiros é pura fachada, cada um tem seu quarto e as fotos juntos muitas vezes são armadas para demonstrar um pouco de afeto.
Não tenho esperança que Tommáz realmente se apaixone por mim, ainda mais com ele pensando na dançarina, se ele souber quem sou, tenho certeza que ele mesmo teria feito esse contrato para poder conseguir a herança da madame. Não sou ingênua de acreditar que esse casamento será para benefício tanto da madame Enora e do Tommáz, como a matriarca disse, pelo menos estarei sendo cuidada e principalmente terei essa divida paga.
Tommáz mantém o seu olhar em minha direção, não sinto medo, mas um brilho surge em seu olhar e isso me causa uma preocupação, não preciso que ele mexa nos perigos que rondam a minha vida.
— Tudo bem, quero saber o valor total por que não admitirei que esteja correndo perigo por conta de outros. — Ele diz com firmeza.
Olho para a madame e me preocupo com o que posso dizer e não, a vejo bater seus dedos com unhas bem cuidadas e sinto vergonha quando olho para a minha própria mão, não que não tenha vaidade, mas há tantos meses que sofro com essa ameaça na minha cabeça que vaidade e um pouco de cuidados é algo que ficou fora da minha lista de prioridades.
Quando aceitei esse plano louco da madame Enora sabia muito bem que a minha vida entraria em uma frequência que poderia estranhar muito, e esses cuidados estéticos, seria algo que precisaria me acostumar, principalmente por que seriam cinco anos de contrato.
— O valor é a somatória das três parcelas Tommáz! — Tom olha para a sua avó com uma certa indignação.
— Tudo bem, vou pedir para que façam a transferência desse valor para você Amélie, mas… — Ele se interrompe antes de concluir o seu pensamento. — Quando será o casamento? — Ele pergunta.
Olho para os olhos azuis e um sorriso de empolgação? Fico em dúvida o que vejo no rosto másculo do Tom, seus cabelos loiros estavam bem penteados para trás, com a marcação de um corte recente, a barba parecia que foi aparada hoje, o que deixava ele com um ar ainda mais sexy, começo sentir um calor se alojando entre as minhas pernas. Fecho as minhas pernas para controlar o tesão que começo a sentir, meus seios ficam pesados e não consigo controlar a porra da minha imaginação, consigo visualizá-lo me fodendo na porra dessa mesa, e exigindo que diga a verdade de quem sou.
Me levanto no instante que fica insuportável ficar ao lado dele e não poder ter se quer um beijo ou sentir que esse incomodo que estava sentindo no meu baixo ventre suma.
— Licença, mas preciso… — Olho para todos que pareciam confusos.
Apenas me viro de costas e saio praticamente correndo daquela sala com a cabeça, rodopiando com tantas informações, preocupações e principalmente por estar com a porra do meu tesão preso dentro de mim.
Caminho pela frente da sala de reuniões e chego até a minha mesa, pego a minha bolsa e decido sair da Casa Miller para poder pensar um pouco longe do perfume que me deixa excitada e com um desespero latente de que o Tom me possua onde quer que estejamos.
Descido não ir pelo elevador, ou darei tempo para que eles me detenham, por mais que ame aquelas duas pestinhas que me convenceram nesse plano de reabilitação do herdeiro. Posso sair muito machucada dessa relação, por enquanto tudo o que sinto pelo Tommáz é uma atração puramente sexual, já que sei o quem ele é e meu corpo implorava por outra rodada.
Começo a descer as escadas de emergência praticamente correndo, retiro os saltos e acelero os passos, preciso sentir um pouco de ar, sem ter o cheiro gostoso daquele homem que estava me deixando a cada minuto que passava ao lado dele de uma forma que era capaz de atacá-lo ali na frente da sua família.
Assim que chego no último lance de escada, entro no saguão e calço meus saltos, ando tranquilamente entre os funcionários e cumprimento vários que estavam em seus postos. Chego até a calçada e antes que termine de descer os poucos degraus até a rua, estendo o braço para um táxi que passava naquele instante.
— Jardim de Luxemburgo, s'il te plaît. — Peço gentilmente.
Assim que o carro começa a entrar em movimento, vejo o olhar do Tom em mim, mas não desisto do meu objetivo, preciso de um tempo longe dessa loucura que estou entrando, preciso focar que não é um relacionamento convencional.
A viagem até o jardim é pequena, pago o motorista e saio em direção o grande gramado bem cuidado, caminho por entre algumas árvores e me sento no chão como os vários casais que estavam ali aproveitando um dia de sol após os dias de chuva contante que estava tendo.
Olho para um casal não muito distante e os via lendo um livro juntos, a vontade de ter isso com o Tom, faz crescer um desejo de algo que sei que pode ser impossível. Tenho certeza que o sentimento de Tommáz Walker por mim Amélie Petit é puramente interesse em conseguir a sua fatia na herança da Madame Miller.
“Mas Amélie e aquele beijo?”
Meu subconsciente começa a me pregar peças e mostrando que talvez esteja errada com esse pensamento.
Passo os braços por baixo do meu joelho e sinto a brisa bater em meu rosto e deixo a mente vagar enquanto me lembro de minha mãe trancando meus cabelos loiros.
“Um dia princesa, você encontrará um príncipe encantado” — Minha mãe fala com carinho.
“Quero um príncipe igual da cinderela que me procure por todo o reino com um sapatinho de cristal” — Digo rindo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Procura-se Uma Noiva
Alguém tem o livro completo ?...
Boa tarde... O resto da história, estava a adorar e do nada acabou......