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Procura-se Uma Noiva romance Capítulo 11

Amélie Petit

A semana de moda foi um sucesso, por horas fiquei tão atarefada em organizar as modelos e as peças que cada uma usaria, que mal tive tempo de ver como estava os espectadores, mas pela euforia que ouvíamos sabia muito bem que a casa Miller havia se saído de forma expendida.

No último dia tivemos algumas pessoas muito importantes no circuito, sabia que eram importantes por que um homem vestido com um Armani se aproximou do Tommáz e o cumprimentou, vi o quanto ele foi gentil e respeitoso com a mulher que estava ao lado do homem, senti uma pontada de ciúme por ser tão íntimo assim daquela desconhecida. Não nego que fiquei curiosa em saber quem era aquela mulher linda.

— São parceiros de negócio Amélie. — Me assusto quando ouço a voz da Noely grudada ao meu ouvido. — Não precisa se preocupar e se olhar com atenção verá que ela está grávida.

— Quem disse que estou olhando para ele? — Tento disfarçar o meu interesse.

— Há, não? — Ouço a ironia da sua voz, sinto quando ela me puxa pelo braço.

Tento fincar meus pés no staff, mas ela começa a me puxar então começo a caminhar ao lado da minha chefe, chegamos na frente da primeira fileira de cadeiras em um momento de pausa entre os desfiles.

— Senhor Carter, há quanto tempo não o vejo! — Ouço a minha chefe cumprimentar o homem que se vira na nossa direção.

— Senhora Miller, como vai? — Eles dois trocam cordialidades, enquanto mantenho meus olhos em Tommáz que ainda parecia muito interessado na mulher ao seu lado.

— Vou bem, obrigada por perguntar, chegaram hoje? — Dessa vez a mulher se apressa a falar.

— Viemos prestigiar a minha prima, Aurora Borges… — Eles continuam em uma conversa agradável e me sentia uma intrusa no meio deles.

— Desculpa meu lapso. — Ela toca na testa e me puxa para o seu lado. — Essa é Amélie Petit, meu braço direito. — Sorrio envergonhada pela apresentação.

— Que linda Noely, já considerou modelar? — Sinto minhas bochechas corarem a sua pergunta e evito olhar para o Tommáz.

— Algumas vezes, mas me falta altura para me tornar modelo. — Digo com um sorriso e a vejo se aproximar ainda mais de Tom e passar a mão por seu braço.

— Bobagem, sei que se esses dois aqui, quiserem nada impedirá, ela não é linda Tom? — Dessa vez encontro o olhar do Tommáz que fica preso aos meus.

— Ela é maravilhosa, tenho certeza que se sairia muito bem … — O vemos tossir e interromper o que iria falar.

Noely segura uma risada assim como o homem que ainda estava ao lado da minha chefe.

— Já percebemos que o Tommáz está com a garganta seca, quem sabe não o leve para beber algo mais tarde, nos acompanharia senhorita Petit? — Antes que pudesse negar, a minha salvadora chega.

— Infelizmente ela não poderá ir, Henrique, sem contar que estou muito decepcionada com você. — Ouço a voz da Madame Enora, enquanto ela caminha até ele e o beijo com ternura.

— Como vai Enora? — Laís se aproxima, beija a matriarca da casa com carinho e sorri com amor para ela.

— Minha mãe fez o enxoval as pressa dessa louca aí, ela se apaixonou por ele durante um mochilão e decidiu sumir deixando seus pais loucos de preocupação. — Olho surpresa para ela e quem diria que ela fez uma arte dessa.

— Isso foi em outra vida, Noely, mas se não tivesse tomado as rédeas, provavelmente meu marido ainda estaria sofrendo com os seus negócios. — Os vejo rindo da piada que fico sem entender.

— A conversa está boa, mas preciso voltar para o Staff. — Minha chefe anuncia e voltamos para trás das cortinas.

Depois desse dia tentei ao máximo me manter distante do herdeiro Miller, não porque ele pareceu interessado, mas porque sabia que não resistiria muito ao lado dele, principalmente com as diversas conversas que estava tendo com a Madame Enora em como ser uma mulher refinada e da alta sociedade.

Sabia que se a imprensa percebesse que não fazia parte da sociedade como eles, as consequências poderiam gerar muito mais prejuízo do que aqueles que estavam enfrentando, pela falta de um herdeiro masculino da Casa Miller.

Elas me deixaram a par de cada um dos problemas que estavam enfrentando com os desvios na própria sociedade, o que estava deixando madame Enora muito mais preocupada do que jamais vi durante os anos que trabalho para elas. O fim de semana passou correndo, mas ainda sim consegui um tempinho para poder tirar com a minha amiga, que passou praticamente a semana se escondendo em casa.

— Laura você precisará sair um dia mais cedo ou mais tarde. — Digo para a minha amiga que estava com o seu pijama amarelo em forma de pato, com o capuz cobrindo o seu rosto.

— Que seja mais tarde então! — Ela exclama enquanto misturo os ingredientes para um brigadeiro.

Laura, quando veio se aventurar em um país diferente, tinha em mente que se casar era algo que não poderia acontecer, já que como imigrante sem os documentos seria inviável conseguir tudo o que o consulado pediria.

Até que ela se apaixonou e acreditou que enfim achou alguém que poderia dar a ela uma vida digna e a tiraria da vida de prostituição do Moulin Rouge, mas para o nosso desespero o idiota a deixou quase morta na porta de um hospital, demorei dois dias para encontrar a minha amiga, até hoje ela carrega as marcas por seu corpo da surra que ele deu nela. Por isso ela decidiu se afastar da Moulin Rouge.

Não sei bem o que aconteceu com ela e o primo do Tommáz, mas pelo modo que ela ficou algo trouxe memórias que são dolorosas para ela, sei que ele foi gentil com ela de uma forma que acredito que ninguém nunca foi, mas algo serviu de gatilho para que ela entrasse nessa depressão que estava enfrentando.

Capítulo 11 AMÉLIE PETIT 1

Capítulo 11 AMÉLIE PETIT 2

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