O sol passava pela janela alta, tornando-se em raios de luz, iluminando claramente a poeira que dançava, e também envolvendo as duas pessoas abraçadas e se beijando numa auréola de luz difusa.
A cena era bonita demais para ser real.
— Cof, cof!
O corpo de Bianca enrijeceu, ela abriu os olhos bruscamente e empurrou Marcelo.
Marcelo também foi alertado pelo som, recuou meio passo, o olhar disparou em direção à origem do som.
Na porta do pavilhão, Patrícia Lacerda estava de pé, com uma mão apoiada no batente, a expressão no rosto era bastante interessante.
Choque, constrangimento, compreensão e um sorriso impossível de esconder.
Ela claramente tinha voltado correndo, a respiração estava um pouco ofegante, como se tivesse vindo trotando.
— Mãe? — O rosto de Bianca ficou vermelho até as pontas das orelhas.
Marcelo estava mais calmo que Bianca, mas a base das suas orelhas também ganhou uma leve camada de vermelho.
Ele soltou a mão que apoiava Bianca, endireitou o corpo, fez um leve aceno com a cabeça para Patrícia e o tom foi razoavelmente firme: — Sogra, a senhora voltou.
Patrícia olhou para o jeito da filha e do genro forçando a calma, e no seu coração sentiu mais graça e alívio.
Embora esbarrar com o casal na intimidade fosse um pouco constrangedor, pelo menos provava que eles tinham um bom relacionamento, inseparáveis.
— Hum, ouvi dizer que a Wilma voltou e veio para a Vila, fiquei com medo que ela te desagradasse, então voltei correndo para ver. — Patrícia entrou, o olhar passou pelos rostos dos dois, tentando fazer o seu tom soar natural.
— Parece que me preocupei demais.
— Ela já foi. — Marcelo respondeu por ela. — Conversou algumas palavras com a Bianca e não houve conflito.
— Ah, isso é bom. — Patrícia concordou com a cabeça e olhou novamente para a filha, decidindo não provocá-la mais.

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