Viu-se no portão redondo do pátio uma jovem magra com um vestido de hospital sob um casaco grande.
Era Wilma Lacerda.
A aparência dela não estava nada... agradável.
O rosto dela estava mais fraco e esgotado do que da última vez, quando a viu no hospital.
Bianca franziu as sobrancelhas levemente. Ela havia escutado que a doença de Wilma Lacerda havia sido contida e que ela fazia tratamento, mas não esperava ver um estado tão precário de perto.
O vento batia contra as flores da macieira. As luzes passavam pelos troncos distantes uns dos outros e projetavam as sombras no chão.
Os olhos de Wilma Lacerda primeiro se encontraram momentaneamente com os de Marcelo, meio espantada, mas rapidamente recuaram o olhar, fixando na moça protegida na retaguarda.
Ela mantinha o semblante confuso, com um ar investigativo de quem avalia uma situação.
— Bianca. — ela chamou novamente. — Será que... podemos trocar umas palavras sozinhas?
Ela mirou os olhos em Marcelo, demonstrando seus motivos óbvios.
As sobrancelhas de Marcelo formaram uma carranca. Ele não a obedeceu, preferiu virar a cabeça para escutar a ordem de Bianca.
Se ela estivesse desconfortável, ele a tiraria dali sem hesitação.
Caso fosse da vontade dela, ele se distanciaria, não mais do que o necessário.
Bianca mantinha os olhos em Wilma Lacerda.
A moça havia roubado a identidade dela tempos atrás, beneficiou-se do sentimento materno e viveu uma rotina perfeita, coisas que eram dela por direito.
Mas, infelizmente, ela adoeceu drasticamente.

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