— Vô. — Bianca foi até a cama e chamou em voz baixa.
Como Patrícia Lacerda não mudou para a família do marido, ela tinha muita aversão aos termos avô e avó maternos. Sendo as pessoas mais íntimas, por que chamá-los de "maternos"? Então, Bianca sempre chamava Dono Lacerda apenas de avô.
— Menina boa, vem cá, deixa o avô olhar bem pra você. — Dono Lacerda estendeu as mãos para ela.
Bianca segurou as mãos do avô e sentou-se na cadeira ao lado da cama.
— Sua mãe me contou que você também ficou internada um tempo atrás. Já sarou de tudo? Sua cabeça ainda dói? — o avô perguntou preocupado, batendo de leve na mão dela.
— Já passou tudo, avô. Não se preocupe, eu estou bem. — Bianca apressou-se a dizer.
— E o senhor, como está, o que os médicos disseram?
— Não foi nada, esses ossos velhos levam pancada mesmo, é só descansar. — O velho acenou com as mãos.
Dono Lacerda também cumprimentou Marcelo.
Ele sabia que o marido da neta era calmo, confiável e competente.
Tendo estado no mundo dos negócios por décadas, ele julgava bem o caráter das pessoas.
Sendo assim, ele gostava muito daquele marido da neta.
Depois de conversarem mais um pouco, Patrícia Lacerda apressou todos a saírem, com medo de o avô ficar cansado, e disse-lhe para descansar.
— Vô, descanse bem, eu volto amanhã para vê-lo. — Bianca arrumou o cobertor para ele.
— Tá bom, tá bom. Podem ir fazer as coisas de vocês, não precisam ficar vindo no hospital toda hora, eu tenho quem cuide de mim. — Ele acenou para eles.
Ao sair do hospital, o grupo entrou no carro de novo rumo à Vila de Lacerda.
Patrícia Lacerda já tinha pedido para o chef de casa preparar a comida. Quando chegaram, faltavam apenas duas sopas para que a refeição fosse servida.

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