À noite, Renato rolava na cama, sem conseguir dormir.
O celular estava ao lado do travesseiro, ele acendia a tela o tempo todo, olhava a hora e deixava apagar.
Já fazia várias horas desde que ele recebeu a mensagem de Elisa.
[Segunda que vem, às três da tarde, no Café Ilha Verde, vamos conversar.]
Eram duas linhas simples que ele leu e releu tantas vezes que quase as decorou.
Cada pontuação era ampliada e girava na mente dele.
Segunda-feira da semana que vem, três da tarde.
Faltavam quatro dias.
Noventa e seis horas.
Cinco mil setecentos e sessenta minutos.
O tempo nunca pareceu tão devagar e ele nunca esteve tão ansioso.
Queria muito vê-la, perguntar tudo pessoalmente, confirmar a identidade de Cici, saber como ela tinha passado aqueles cinco anos e dizer a ela que queria compensar o tempo perdido e participar da vida delas.
Mas ao mesmo tempo, estava tenso.
Tinha medo de ela ser fria, de não deixar que ele se aproximasse da filha, de... ela não o querer aceitar.
Vários pensamentos lutavam na cabeça de Renato, tirando completamente o sono dele.
Ele decidiu sentar-se, encostar na cabeceira e abrir o celular mais uma vez.
No aplicativo de compras, a maioria da enorme quantidade de brinquedos, livros ilustrados e roupas infantis que ele havia encomendado à tarde já mostrava o status de "enviado".
O endereço de entrega era o do apartamento dele no centro da cidade.
Ele não se atreveu a mandar entregar no hospital; ficou com medo de ser muito brusco e incomodá-la.
Primeiro deixaria na sua casa e... depois que conversassem, ele veria o que fazer.
Ao olhar para as imagens daquela variedade de produtos, imaginou o rostinho de surpresa de Cici abrindo os presentes, e aquela emoção suave e apertada no coração subiu de novo.
Ele tinha uma filha.

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