Mas hoje, desde que Henrique Faria entrou, ele parecia cheio de preocupações. Ele não recusava bebida de ninguém, um copo após o outro, como se aquilo não fosse bebida, mas água.
E ele quase não participou da conversa, não demonstrou interesse nas partidas de xadrez sugeridas por Fabiano Ribas e apenas bebia em silêncio.
— Henrique Faria, assim não dá, só bebendo e não falando nada, por que você está tão fechado assim com a gente?
Fabiano Ribas percebeu que Henrique Faria não estava animado e tentou quebrar o clima, pegando o pote de xadrez: — Venha, jogar duas partidas? Deixa eu ver se as suas habilidades regrediram depois de tantos anos no exterior.
Henrique Faria largou o copo de bebida, esfregou o meio das sobrancelhas e disse com a voz rouca: — Não, joguem vocês, vou ficar sentado.
— Isso é muito sem graça. — Fabiano Ribas virou o olhar para Renato Faria. — Renato Faria, venha beber dois copos com seu irmão e conversem. Vocês também não se veem há um bom tempo, né?
Renato Faria pegou a garrafa de bebida e encheu os copos dele e de Henrique Faria.
— Irmão, a você. — Ele ergueu o copo, olhando para Henrique Faria.
Henrique Faria ergueu os olhos e olhou para o seu irmão.
Sob a luz, o rosto de Renato Faria era noventa por cento igual ao dele, exceto que faltava a calma entre as sobrancelhas e havia mais extroversão e rebeldia.
Eles eram gêmeos, tinham um ótimo relacionamento quando crianças, mas, depois de crescidos, a relação esfriou.
Henrique Faria levantou o copo, brindou suavemente com o copo de Renato Faria, emitindo um som nítido.
Então, inclinou a cabeça para trás e bebeu tudo de uma vez.
O líquido picante escorreu por sua garganta, trazendo uma sensação de queimação, mas não conseguiu suprimir as emoções mais intensas que ferviam no fundo de seu coração.
Ele serviu-se de outro copo e, sem esperar que os outros o incentivassem, bebeu novamente.
— Irmão, beba devagar. — Renato Faria não pôde deixar de falar.
Mas Henrique Faria, como se não tivesse ouvido, serviu mais um copo.
Marcelo franziu a testa levemente e disse: — Henrique Faria, beba menos.
Henrique Faria persistia em segurar o copo de bebida.
Ele levantou a cabeça e varreu o olhar desfocado pelas pessoas presentes.
— Elisa... — Ele murmurou de repente em voz baixa.
— Elisa teve uma criança...

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