A voz dele não era alta nem baixa, quebrando o silêncio.
Bianca assentiu, indicando que entendia.
Henrique Faria pareceu ser trazido de volta à realidade pela voz de Marcelo.
Ele lentamente recuou o olhar, recostou-se no banco, fechou os olhos e levantou uma mão, apertando com força o meio das sobrancelhas.
Quando abriu os olhos novamente, as oscilações já haviam desaparecido de seu olhar, deixando apenas calma.
— Desculpem — disse Henrique Faria —, atrapalhei vocês.
— Não tem problema — disse Marcelo de forma leve, seu olhar parando no rosto dele por um instante, sem perguntar mais nada.
— O Senhor Faria é muito educado — respondeu Bianca também com cortesia, sem dizer mais nada.
Havia coisas que eram tacitamente compreendidas e não precisavam ser ditas.
Henrique Faria continuou olhando para fora da janela em silêncio.
Aquela criança...
Incontrolavelmente, ele traçou novamente na mente aquele rostinho gordinho e os olhos amendoados, pretos e brancos bem definidos, com os cantos levemente puxados para cima.
Parecia demais.
Parecia com ele.
Mas a idade não batia.
Inúmeras perguntas e pensamentos caóticos colidiam na mente de Henrique Faria, fazendo suas têmporas latejarem e sua cabeça doer.
Ele fechou os olhos, forçando-se a parar com aquelas suposições sem sentido.
Independentemente de quem fosse a criança, não tinha mais nada a ver com ele.
Era a vida de Elisa, era a escolha dela.
Ele já havia perdido o direito de perguntar.
Apenas, em algum lugar de seu coração, por que ainda sentia como se estivesse sendo atingido repetidamente por um objeto cego, com uma dor surda e contínua?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Preço do Amor