Henrique Faria olhou para fora do carro, passando por Marcelo e Bianca, e então seus olhos pousaram a alguns passos de distância em Elisa Lemos e na menininha que ela segurava pela mão, que olhava para ele com curiosidade, com o rostinho erguido.
O tempo pareceu se estender infinitamente naquele momento.
O barulho da rua e o fluxo de carros passando desapareceram em um instante.
O olhar de Henrique Faria fixou-se naquela menininha usando um moletom amarelo de ursinho, com o cabelo preso em marias-chiquinhas, bochechas gordinhas e olhos grandes e brilhantes.
Suas pupilas se contraíram.
Seus dedos se apertaram levemente.
A menininha era linda, especialmente aqueles olhos... pretos e brancos bem definidos, claros e transparentes, em um formato bonito de amêndoa, com os cantos levemente puxados para cima.
Aquele formato de olho...
A respiração de Henrique Faria parou por um segundo.
Seu cérebro trabalhava rápido, calculando.
Se...
Não, impossível.
Ele e Elisa já estavam separados há dez anos.
Se tivessem uma criança, ela deveria ser mais velha.
Esta criança parecia ter apenas quatro ou cinco anos.
Mas...
O rosto dessa criança se parecia muito com o dele, uma semelhança que ele podia reconhecer de imediato.
A metade superior do rosto se parecia com ele, a inferior com Elisa...
O coração de Henrique Faria doeu e pesou, com um zumbido nos ouvidos.
Quando Elisa viu aquele rosto aparecer no banco de trás, ela congelou por um momento e, após reagir, pegou a criança no colo e se virou em direção a onde havia estacionado seu carro, caminhando rapidamente, sem nem mesmo ter tempo de dizer mais uma palavra a Bianca ou Marcelo.
Bianca olhou para as costas de Elisa, que quase fugia com a criança, e ficou um pouco confusa.

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