A mão de Henrique ficou suspensa a alguns centímetros da porta.
Seus dedos enrolaram-se levemente.
Ele ficou parado ali por alguns segundos e, lentamente, abaixou a mão.
Deu uma última olhada profunda naquela porta, com um olhar que não revelava nenhuma emoção, e foi embora.
Uma semana depois.
A alta médica de Bianca finalmente foi aprovada.
A tomografia cerebral mostrou que o hematoma intracraniano havia sido basicamente absorvido e os resultados dos exames de função nervosa estavam bons. Embora parte de sua memória ainda estivesse prejudicada, a função física havia se recuperado bem, atingindo o padrão de alta para recuperação em casa.
No dia da alta, Patrícia e Gabriel voaram da capital de manhã cedo e foram direto para o hospital.
No quarto, as coisas já estavam quase todas arrumadas.
Bianca tirou a roupa de paciente e vestiu um cardigã de caxemira macio e confortável com uma calça cinza-clara. O cabelo estava preso em um rabo de cavalo baixo simples. O rosto estava com um pouco mais de cor; embora ela tivesse emagrecido muito, seu olhar estava muito mais claro.
Marcelo estava fazendo a última verificação dos itens a serem levados. Elisa trouxe uma enfermeira para fazer a avaliação final da alta e explicar as precauções.
— Depois de ir para casa, você ainda precisa focar em descansar. Evite fadiga e grandes flutuações emocionais. Você pode se movimentar dentro de casa adequadamente, mas não fique de pé por muito tempo nem faça exercícios extenuantes. A nutrição deve acompanhar, mas a dieta ainda deve ser leve e de fácil digestão, progredindo passo a passo. — Elisa instruía de forma metódica enquanto assinava o resumo da alta.
— Se houver tontura, agravamento da dor de cabeça, náusea, vômito, visão turva ou outros sintomas novamente, você deve retornar imediatamente para uma revisão. A recuperação da memória é um processo longo, não tenha pressa e não coloque muita pressão sobre si mesma. Comunique-se mais com sua família, é muito importante manter um humor feliz.
— Entendi, obrigada Dra. Elisa, você trabalhou muito durante esse período. — Bianca pegou o resumo da alta e uma pilha de recibos, agradecendo sinceramente.
— De nada, é meu dever. — Elisa fechou a pasta do prontuário e um sorriso apareceu em seu rosto. — Vá para casa e descanse bem, basta retornar regularmente para check-ups. Se tiver alguma dúvida, pode me perguntar no WeChat a qualquer momento.
— Certo. — Bianca assentiu.
Elisa deu mais algumas instruções sobre a medicação e o tempo de revisão. Quando estava prestes a voltar para o escritório, uma enfermeira veio procurá-la, dizendo que alguém que dizia ser um velho conhecido a estava procurando. Elisa mudou de direção e foi ver a pessoa.
Patrícia e Gabriel ajudaram a carregar várias bolsas, enquanto Marcelo apoiava Bianca com cuidado. O grupo saiu do quarto do hospital.
No corredor, a luz do sol entrava pela janela, quentinha.
O carro estava estacionado na entrada da unidade de internação.
A porta do banco de trás se abriu, e a mão de Marcelo protegeu o batente da porta, ajudando cuidadosamente Bianca a entrar, sentando-se em seguida.
Patrícia e Gabriel pegaram outro carro e seguiram atrás.
Bianca encostou-se no banco, observando a paisagem familiar e um pouco desconhecida da rua lá fora, sentindo uma sensação de poeira baixando no coração.
Tendo ficado no hospital por quase meio mês, o cheiro de desinfetante ia mariná-la. Embora tivesse sido muito bem cuidada, afinal, não era a sua casa.
Agora, ela finalmente poderia ir para casa.
Mais de meia hora depois, o carro entrou na área das vilas e parou na porta de casa.

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