*Toc, toc.*
Elisa levantou a cabeça e olhou para a porta.
Quem... seria?
Normalmente, os pacientes não iam procurá-la diretamente no escritório.
Ela tinha uma vaga suspeita em mente.
— Pode entrar. — Ela tentou se acalmar.
A porta foi empurrada lentamente.
Renato estava parado na entrada.
Ele mantinha-se ereto, com uma das mãos no bolso da calça social, e a outra... parecia não saber onde colocar.
Ele a encarou com um olhar complexo; o choque e o desespero momentâneos que tinha no quarto não existiam mais, mas seu olhar ainda era profundo e insondável.
Ele não entrou imediatamente nem disse nada. Apenas ficou ali, com o olhar focado intensamente no rosto dela.
O coração de Elisa falhou uma batida.
No entanto, seu rosto não demonstrou qualquer mudança de expressão, apenas franziu levemente a testa, como se olhasse para um visitante atrevido.
— Senhor, precisa de alguma coisa?
O pomo de adão de Renato subiu e desceu pesadamente. Ele puxou os cantos dos lábios em um sorriso amargo, como se zombasse de si mesmo.
— Elisa — ele chamou pelo nome dela, a voz terrivelmente rouca. — Nós realmente precisamos fingir que não nos conhecemos?
Ele olhou para ela, o olhar vagando pelo seu rosto, tentando encontrar qualquer resquício do passado, mesmo que fosse ressentimento ou raiva.
Mas não havia nada.
Havia apenas o tom estritamente profissional.
Elisa levantou-se, parou em frente à mesa, inclinou levemente a cabeça, mostrando uma dúvida sob medida no rosto, e então balançou a cabeça de leve:

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