Ao dizer "nos amamos muito", o tom de voz dela foi firme.
— Mas eu não consigo lembrar das coisas específicas. Como nos conhecemos? Quando nos casamos? Como foi o casamento? Como era o nosso dia a dia?
Ela foi falando cada vez mais rápido, e sua respiração acelerou. O número dos batimentos cardíacos no monitor começou a subir.
— Se não consegue lembrar, não pense mais nisso. — Marcelo a interrompeu de imediato, colocou a outra mão na testa dela e massageou de leve entre suas sobrancelhas contraídas.
— A médica disse que não pode forçar a memória, senão dá dor de cabeça. Tudo bem se não lembrar, podemos ir aos poucos. Eu te conto. Ou, então, a gente deixa para quando você lembrar mais para frente. Não temos pressa.
A voz dele era firme. A respiração ofegante de Bianca foi se acalmando, mas a confusão e o pânico em seus olhos não desapareceram.
Ela olhou para Marcelo com dependência, como se ele fosse a sua única tábua de salvação.
— Nós... nos amamos de verdade, né?
— Sim. — Marcelo concordou, devolvendo o olhar com tranquilidade e firmeza.
— Nos amamos muito.
— Nos amamos demais.
Ele repetiu, como se estivesse enfatizando para ela e confirmando para si mesmo.
— Eu sou o seu marido e você é a minha esposa. Vivemos juntos, apoiamos um ao outro, dividimos as alegrias e tristezas. Embora você não consiga lembrar de certas coisas agora, esses sentimentos e essa conexão não somem por causa de uma falta de memória temporária. Eles estão aqui.
Ele segurou a mão dela e a pressionou suavemente no lado esquerdo do peito, onde ficava o coração.
Bianca sentiu as batidas firmes do coração de Marcelo e o calor intenso da mão dele, o que a deixou tranquila.

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