Patrícia e Gabriel foram convencidos por Marcelo à tarde a ir descansar no hotel ao lado do hospital. Afinal, eles já não eram tão novos, e o cansaço acumulado de tantos dias não podia ser suportado nem pelo corpo mais forte.
Marcelo prometeu avisá-los assim que algo mudasse.
Naquele momento, apenas ele e Bianca em sono profundo restavam no quarto.
Marcelo fechou os olhos secos e doloridos. Quando os abriu novamente, a sua visão ficou um tanto turva.
E foi aí.
A mão que ele segurava se moveu.
Tão devagar e suave quanto o toque de uma borboleta na palma da mão.
O corpo de Marcelo congelou de repente, pensando estar alucinando.
Ele prendeu a respiração e olhou fixamente para a mão.
Moveu-se de novo.
Desta vez foi mais óbvio. As pontas dos dedos curvaram-se um pouco, tocando a palma dele.
O coração de Marcelo perdeu uma batida repentinamente e logo depois acelerou, tão forte que fazia seu peito doer.
Ele levantou a cabeça bruscamente para olhar no rosto de Bianca.
O cenho dela franziu, e os cílios compridos e densos começaram a tremer.
— Bianca? — A voz de Marcelo tremeu violentamente. Ele apertou a mão dela sem perceber, mas não teve coragem de colocar muita força. — Bianca, você consegue me ouvir? Sou eu, o Marcelo...
As pálpebras de Bianca tremiam com mais vigor, enquanto lutava, como se enfrentasse a pesada escuridão.
Enfim, observada por Marcelo, o par de olhos que ficaram fechados por quatro dias abriram-se numa fresta bem devagar.
No começo, o olhar mostrava-se disperso e vago. Olhava fixamente para o teto sem foco, totalmente perdida e atordoada.
— Bianca... — Marcelo falou novamente, engasgando com as palavras.
Os olhos de Bianca moveram-se aos poucos e sua visão finalmente obteve foco no rosto de Marcelo.
Ela o observou, por um tempão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Preço do Amor