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O Despertar da Luna Guerreira romance Capítulo 386

Do ponto de vista de Freya

Quando Parker finalmente falou, parecia que havia arrastado as palavras do fundo de um lago congelado.

—Eu… há alguém que preciso salvar —disse, com a voz rouca—. A Jenny pode salvá-la.

Fiquei paralisada.

Por um instante, o lobo selvagem dentro de mim se aquietou, a respiração suspensa no peito. Imagens cruzaram minha mente: meus antigos relatórios de inteligência, os fragmentos dispersos de dados que eu havia reunido sobre o desaparecimento de Parker, a mulher em D-land que o ajudou a sobreviver, a mesma que depois o seguiu até C-Country quando a família Williams o acolheu.

Uma mulher com a saúde debilitada. Uma mulher cujo nome…

—Freya? —Parker franziu o cenho, confuso com meu silêncio repentino.

Minha voz saiu baixa.

—A pessoa que você precisa salvar… é a Lina?

O sorriso que ele respondeu foi pequeno e dolorido, nada parecido com o sorriso confiante do irmão que eu conhecia.

—Sim. Eu preciso salvá-la.

Não fiquei surpresa. Não totalmente. Se Parker soubesse que eu havia fugido com a amostra de DNA dele anos atrás para fazer testes, saberia que investiguei tudo: o passado dele, a linha do tempo, o punhado de pessoas intimamente ligadas a ele.

Lina era uma delas. Uma mulher doente, em cuidados prolongados. E agora…

—Como você acha que a Jenny pode salvá-la? —perguntei—. A Jenny não é curandeira.

A menos que…

O pensamento me atingiu de uma vez.

—As células-tronco da Jenny são compatíveis com as da Lina.

Não era uma pergunta.

—São —confirmou Parker em voz baixa—. Se a Jenny for expulsa da família Williams, se algo acontecer com ela… a Lina morre.

O silêncio caiu entre nós, denso e pesado, com emoções demais presas ali dentro.

Por fim, ele expirou.

—Você queria a verdade. Aqui está. Já está tarde. Descanse.

Não havia mais nada a dizer.

Saímos do carro, encontramos quartos numa pousada à beira da estrada e dormimos apenas algumas horas inquietas.

Ao amanhecer, saí bem a tempo de ver Parker se aproximando, com dois buquês de margaridas amarelo-pálidas nas mãos.

Pis­quei.

Ele deu de ombros, com uma expressão quase envergonhada.

—Não posso aparecer de mãos vazias.

Eles.

Arthur Thorne e Myra — nossos pais.

Mesmo sem se lembrar, algo no lobo dele reagia sempre que os nomes eram mencionados. Na noite anterior, quando lhe contei que haviam morrido há três anos em uma missão no exterior… quando disse que fui sozinha buscar as cinzas… a dor que o atravessou não foi uma lembrança racional.

Foi instinto. Profundo como o sangue.

E culpa.

Tanta culpa que pesava sobre seus ombros como ferro.

Não disse nada e abri o carro.

Seguimos em silêncio até o Salão dos Mártires da Legião de Ashbourne.

O ar estava frio o suficiente para arder na pele, e a névoa se enroscava baixa sobre as pedras do memorial. Quando pisamos no terreno sagrado, o aroma de pinho, pedra antiga e magia lunar persistente me envolveu — solene, ancestral, reconfortante.

Eu levava minhas flores. Parker, as dele.

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