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O Despertar da Luna Guerreira romance Capítulo 385

Do ponto de vista de Freya

—Porque você desapareceu —disse em voz baixa. —Nossos pais morreram. E eu fui a única que restou.

Mesmo agora, ao pronunciar essas palavras, eu ainda sentia um nó na garganta.

Arthur e Myra carregavam tantas esperanças para nós — esperanças que nunca chegamos a cumprir. O maior pesar deles, antes da última missão com a Unidade de Reconhecimento Presa de Ferro, era que nem o filho nem a filha haviam encontrado um parceiro ou formado uma família. Então, quando partiram… eu tomei uma decisão. Deixei o serviço ativo e me casei.

Só que não com o homem certo.

Parker se virou bruscamente para mim.

—Seu companheiro não foi o Silas?

—Não. —Respirei fundo. —O nome dele era Caelum. Alfa da alcateia Presa de Prata, chefe da SilverTech Forgeworks. Rompemos nosso vínculo há cinco meses.

Parker hesitou, a pergunta carregada na voz:

—Ele… te tratou mal?

Soltei uma risada baixa, sem humor.

—Eu fui apenas a segunda opção dele. Aquela que ele aceitou quando o que realmente queria escapou de suas mãos. Ele quis demais, e as coisas de que eu precisava… ele nunca conseguiu me dar. Três anos de casamento, e tudo não passou de uma ilusão privada minha. Foi por isso que eu terminei.

O maxilar de Parker se tensionou.

—Um homem assim… não te merece.

Quase sorri.

—Se você fosse o irmão que eu lembro —o Eric que nunca deixava ninguém me machucar— estaria ameaçando quebrar a mandíbula do Caelum agora mesmo.

Os lábios dele se apertaram numa linha fina; os ombros, tensos.

—Freya… e se eu nunca recuperar minhas memórias? Você ainda me chamaria de irmão?

Eu o encarei. Não Parker, o estranho que carregava o rosto do meu irmão, mas o homem que, pedaço por pedaço, instinto por instinto, ainda parecia Eric.

—Meu irmão —murmurei— foi a única pessoa neste mundo —além dos nossos pais— que me amou sem condições. Desde que nasci, ele me protegeu. A vida dele pela minha… ele teria feito essa troca sem pensar duas vezes. E eu faria o mesmo por ele.

Minha garganta doía.

—Um homem assim —se algum dia recuperar suas memórias— não deveria acordar um dia e se arrepender das decisões que tomou enquanto estava perdido.

Olhei para ele com firmeza.

—Então, em vez de se perguntar se eu ainda vou te reconhecer… talvez você devesse se perguntar se quer ser o Eric, ou se prefere continuar sendo Parker Williams para sempre.

Um silêncio profundo caiu sobre o veículo.

Quando chegamos a um posto de gasolina tranquilo na estrada para Ashbourne, desci para abastecer. O ar frio da noite mordia minha pele, afiado e puro. Ao voltar para o carro, joguei as chaves para Parker.

—Você dirige pelas próximas duas horas —disse.

Ele assentiu.

—Tudo bem.

Trocamos de lugar.

E assim que as mãos dele se fecharam no volante, senti algo se contorcer dolorosamente no meu peito.

Embora não tivesse as memórias, a postura ao dirigir, o ângulo sutil do pulso, a forma como se inclinava nas curvas… tudo era exatamente igual. Eric tinha me ensinado a dirigir. Eu ainda me lembrava das mãos dele guiando as minhas no volante —firmes, seguras, pacientes.

Agora essas mesmas mãos estavam diante de mim outra vez, pertencendo a um homem que não me conhecia.

Quando chegamos a Ashbourne, a lua já estava baixa e o mundo jazia em silêncio sob seu brilho prateado.

—Vamos procurar uma pousada para passar a noite —disse, abrindo a porta do carro. —De manhã iremos ao Salão dos Mártires da Legião de Ashbourne.

Meu pé mal tocou o chão quando Parker falou:

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

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