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O Despertar da Luna Guerreira romance Capítulo 407

Ponto de vista da Freya

-Ah—!

O grito da Jenny rasgou o silêncio do lance de escadas tomado pela fumaça, agudo e selvagem.

Seu corpo se inclinou para trás, as botas arranhando inutilmente a pedra queimada enquanto a gravidade a puxava para baixo. O instinto a fez agarrar o ar, os dedos buscando qualquer coisa, qualquer pessoa, para impedir a queda.

Eu me movi antes de pensar.

Minha mão disparou, os dedos se fechando em seu pulso justo quando seu peso a arrastava para baixo.

O impacto puxou meu ombro quase para fora da articulação.

Por meio segundo, o mundo se resumiu à dor, ao calor e ao rugido do sangue nos meus ouvidos.

Então ela parou de cair.

Jenny congelou, suspensa sobre o vazio.

Três andares abaixo, a luz do fogo tremeluzia como as mandíbulas de uma fera à espreita.

Seus olhos se voltaram para os meus, arregalados de descrença. Então — a compreensão surgiu.

E ela riu.

Um som estridente, histérico, que ecoou pelas paredes rachadas.

-Freya,- ela gargalhou. -Mesmo agora, você me salva? Mesmo depois de eu ter tentado te matar?

Sua mão apertou meu braço, as unhas cravando na pele.

-Vai em frente,- continuou, ofegante e selvagem. -Me odeie. Me amaldiçoe. Mas você não pode me deixar morrer. Você não vai. Porque só eu posso salvar a Lina. E você sabe disso.

Meu maxilar se contraiu.

Ela não estava errada.

A vida da Lina dependia da medula e das células-tronco alinhadas à lua. E Jenny era a única compatível que encontramos.

Por mais que eu quisesse soltar—

Eu não podia.

O lobo dentro de mim rosnou, furioso, contido apenas pelo juramento e pelo instinto.

-Você me enoja,- disse friamente.

Ela só riu ainda mais.

-Ah, mas mesmo se você me salvar agora,- ela zombou, os olhos deslizando até minha garganta, -você ainda vai ter que morrer.

Seu olhar se fixou no cristal vermelho-sangue pendurado no meu pescoço.

O Rubi Coração da Lua.

Uma relíquia forjada antes da divisão das alcateias. Uma chave. Uma promessa. Um fardo.

Sua mão subiu.

Uma arma.

A essa distância, mesmo com seu peso pendurado desequilibrando-a, ela não erraria.

Vi o cálculo passar por seus olhos.

Se eu a soltasse agora, ela cairia. Mas não de forma limpa. O ângulo poderia fazer com que ela atingisse o patamar do segundo andar. Machucada, sim — mas provavelmente viva.

E se eu não a soltasse...

Ela poderia me atirar.

Me matar.

E então pegar o colar do meu cadáver.

Ela sorriu, o dedo apertando o gatilho.

Eu não dei chance.

Levantei o joelho e dei um chute forte.

Minha bota acertou seu pulso com precisão brutal.

A arma voou de sua mão, caindo com estrondo pelas escadas quebradas e desaparecendo na fumaça lá embaixo.

Sua expressão se despedaçou.

-Você—!

-Você fala demais,- respondi com aspereza. -Se quer me ver morta, está longe de ser capaz.

Me preparei, ajustando a postura, pronta para puxá-la para cima e nocauteá-la. Uma vez desacordada, eu poderia carregá-la para fora do prédio.

Esse era o plano.

Então a explosão aconteceu.

O mundo explodiu.

Uma onda de choque atingiu meu corpo, calor e pressão arrancando o ar dos meus pulmões. Fui jogada para o lado, a coluna batendo contra a parede de pedra com força que fez os ossos estremecerem.

O corrimão ao nosso lado se estilhaçou.

O metal gritou ao se desprender.

Jenny gritou.

A explosão lançou seu corpo para fora, além da borda do lance de escadas.

Todo o seu peso caiu.

Agora ela não estava mais pendurada sobre degraus.

Estava pendurada sobre o vazio.

Três andares inteiros.

Se ela caísse direto até o primeiro andar, seu corpo humano não sobreviveria.

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