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O Despertar da Luna Guerreira romance Capítulo 387

Ponto de vista em terceira pessoa

Freya parou, com a respiração presa entre a dor e a culpa, enquanto permanecia diante do sigilo de pedra que marcava o local de descanso de seus pais no Salão dos Mártires da Legião de Ashbourne. O vento frio da manhã varria o terreno memorial à beira do penhasco, trazendo consigo um leve aroma metálico de batalhas antigas e sangue consagrado.

Ela baixou o olhar para as runas gravadas que carregavam os nomes de Arthur e Myra — seu pai e sua mãe, guerreiros do Quinto Ramo do Clã Stormveil, defensores da frente norte.

Sua voz era suave, mas a dor contida nela cortava mais fundo do que qualquer lâmina.

—Me desculpem… por tudo. E me desculpem, mamãe e papai.

Porque, apesar dos insultos cruéis de Jenny contra Arthur e Myra, apesar de tudo o que a garota Williams havia feito para arrastar a honra de sua família pela lama, Freya ainda precisava baixar a cabeça, ainda precisava suportar, ainda precisava implorar por uma paz que tinha gosto de cinza em sua boca.

Era humilhante. Era injusto.

E, ainda assim, ela estava ali, ajoelhada diante da pedra, carregando esse fardo sozinha.

Quando ela e Parker finalmente deixaram o Salão dos Mártires, o sol já começava a se pôr atrás das cristas serrilhadas. Dirigiram-se ao veículo — um rover blindado WolfComm — e iniciaram o longo retorno à Capital.

No meio do caminho pela estrada da floresta, o comunicador de Parker emitiu o característico triplo pulso de uma chamada prioritária da família Williams.

Ele atendeu.

Um instante depois, um pouco da cor desapareceu de seu rosto.

Quando encerrou a chamada, olhou para Freya.

—Everett… Everett quer nos ver assim que voltarmos à cidade.

Freya piscou.

—Nós?

—Sim. —A expressão de Parker era impenetrável—. Ele quer ver você também.

O lobo de Freya se eriçou sob a pele, um rosnado baixo subindo como fogo gelado por suas veias. Ainda assim, ela apenas inspirou fundo e assentiu.

—Tudo bem. Eu iria vê-lo mais cedo ou mais tarde.

Então se virou para Parker, os olhos levemente semicerrados.

—E você? Com qual identidade pretende encarar Everett? Como Parker? Ou como Eric?

Parker permaneceu em silêncio por um longo momento.

Quando finalmente falou, sua voz era firme, mas tingida de algo mais antigo, mais pesado.

—Naquela época… a matriarca Williams salvou a minha vida. Sem o tratamento que ela providenciou, eu teria morrido em menos de um mês. Minha doença estava avançada demais.

Freya ouviu em silêncio, as sombras da floresta deslizando sobre seus traços.

—Mas depois… —continuou Parker—, a velha matriarca se convenceu de que eu era filho de Everett. Talvez porque, quando Everett era jovem, ele e eu nos parecíamos… quase idênticos.

O cenho de Freya se franziu com força.

—Mas você não é. Um único exame de sangue prova isso.

—Sim. —Os lábios de Parker se apertaram—. A família Williams sabia. Todos. Mas ninguém teve coragem de contar a ela. Ela já havia perdido a filha anos antes. A mente dela… oscila entre clareza e confusão. Dizer a verdade teria a destruído por completo.

Freya expirou lentamente.

—Então você se tornou o filho ilegítimo de Everett.

Parker assentiu uma única vez.

—Aceitei isso. A família Williams me salvou. Eu lhes devia isso. Até o último adeus da matriarca, eu continuaria sendo Parker.

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