Ponto de Vista em Terceira Pessoa
Lana acabara de pegar um conjunto de roupas limpas no carro para a Freya quando o grito estridente do alarme de incêndio rasgou a noite.
Ela congelou.
O som vinha na direção do salão de festas.
O salão de festas onde Freya estava descansando.
Um choque de medo atravessou seu corpo. Sem nem fechar a porta do carro, Lana disparou em direção ao prédio, suas botas deslizando sobre o mármore enquanto lobos e humanos saíam em pânico. As caixas de som do salão chiavam, e então uma voz fria e mecânica começou a repetir instruções para evacuação.
Os funcionários já gritavam por cima do barulho, guiando os convidados pelas saídas laterais.
Lana procurava às pressas seu WolfComm, discando o número de Freya várias vezes.
Sem resposta.
-Atenda – por favor, atenda!
Seu lobo rosnava ansiosamente sob sua pele, andando de um lado para o outro.
Dois convidados passaram correndo por ela, murmurando ofegantes.
-Quem diabos colocou fogo durante o baile anual do Consórcio Ironhold?
-Pode ser sabotagem. Ouvi dizer que começou perto da área do lounge...
Área do lounge.
O sangue de Lana congelou.
Freya estava naquele lounge.
Ela disparou para frente, mas foi puxada para trás. Um braço forte agarrou sua cintura, arrastando-a na direção oposta.
-Ei—!
A voz de Victor cortou o caos.
-O que diabos você está fazendo correndo para o fogo?
-Me solta!- Lana se debateu violentamente, as garras ameaçando rasgar a ponta dos dedos. -A Freya está lá dentro! Ela está no lounge — ela não saiu!
Victor a guiou para a saída com a força de um Alfa nato. -Entrar correndo não vai ajudar. Os profissionais já estão respondendo. Você fica onde é seguro.
-Mas e se eles não souberem que ela está lá?!- Lana gritou, a voz falhando. -Eu preciso avisar — se eles não souberem que têm que procurá-la — a Freya—
Sua respiração saiu em soluços quebrados. Ela não conseguia parar de reviver cada decisão que tomara naquela noite.
Se ela não tivesse trazido a Freya.
Se não tivesse sugerido que fossem para o lounge.
Se não tivesse mandado ela esperar lá—
A voz de Victor suavizou, mas manteve-se firme. -A Freya é capaz. Se realmente houver perigo, ela vai encontrar um jeito de sair. Você entrando no fogo só vai piorar as coisas.
-Então por que eu não a vi?- A garganta de Lana queimava. -Todo mundo já saiu — todo mundo, menos ela. O WolfComm dela está desligado. Victor, me solta!
Seu desespero ecoou pelo corredor.
Foi quando outra voz — aguda, assustada — interrompeu.
-A Freya ainda está no lounge?!
Lana se virou para ver Parker a poucos passos, os olhos arregalados, o horror estampado no rosto.
-Ela derramou vinho no vestido,- Lana conseguiu dizer, as lágrimas escorrendo pelo rosto. -Ela foi trocar. Eu liguei — ela não atendeu. Não consigo encontrá-la—
As palavras se embaralharam, desmoronando em pânico.
Ela avançou de novo. -Victor, me solta — eu tenho que encontrá-la, eu tenho que—
Victor desferiu um golpe rápido com a lateral da mão na nuca dela.

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