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O Despertar da Luna Guerreira romance Capítulo 406

Ponto de Vista em Terceira Pessoa

Quando Parker estava prestes a avançar para dentro do salão em chamas, a voz de Everett cortou o caos como uma lâmina.

-Pare ele.

Vários guardas da Família Williams se moveram instantaneamente, formando uma barreira na frente de Parker. Suas posturas eram firmes — firmes demais para um homem desesperado para alcançar as chamas.

-Saia do caminho,- rosnou Parker, seu instinto de lobo fervendo sob a pele, garras ameaçando romper.

Mas os guardas não se moveram.

Everett deu um passo à frente, a luz do fogo refletindo em seus olhos. Seus dedos enrolavam os terços de ônix que ele sempre carregava, cada conta desgastada por anos de culpa e penitência.

-Faço isso porque não quero que nada aconteça com você,- disse Everett, com a voz pesada, quase solene. -Se algo acontecer com você, a velha matriarca vai desmoronar de novo. Você sabe como está a saúde dela — ela não aguenta mais um golpe.

Parker soltou uma risada amarga, sem humor.

-Então, desde que eu esteja seguro, é só isso que importa para você? Minha vida vale a pena proteger, mas a da minha irmã não? A sobrevivência da Freya não significa nada para você?

Everett não respondeu. Seu olhar baixou para as contas novamente, o silêncio falando mais alto que palavras.

Porque todo mundo sabia a verdade.

Para Everett Williams, as únicas pessoas que realmente existiam em seu mundo eram sua mãe e a irmã que ele perdeu. Tudo o que ele fazia, cada respiração que dava, era uma tentativa silenciosa e interminável de redenção.

A voz de Parker tremia — mas não de medo. De fúria.

-Mas a Freya é minha irmã. E nenhuma força neste mundo vai me impedir de entrar lá por ela.

-Você ousa —- Everett começou.

Mas Parker não esperou. Movia-se como um lobo liberto das correntes. Um golpe — dois — três — seus punhos cortaram a defesa dos guardas, fazendo-os cambalear. Sua intenção era clara; ele lutaria contra todos eles, se fosse preciso.

Ele lançou um olhar furioso para Everett.

-Você também tem uma irmã. Se ela estivesse presa nas chamas agora, você realmente ficaria aqui parado sem fazer nada?

A expressão de Everett se quebrou — só um pouco. Uma sombra passou pelo seu rosto, uma ferida reabrindo. A memória da irmã que perdeu, aquela que não conseguiu proteger, gravada em sua alma.

Os guardas avançaram de novo, mas Everett levantou a mão.

-Fiquem onde estão.

Eles congelaram instantaneamente.

Parker não perdeu um segundo. Sem olhar para trás, disparou direto para dentro do salão em chamas, desaparecendo na fumaça.

Everett observou sua silhueta sumir. O fogo refletia em seus olhos como arrependimento derretido. Seu maxilar se apertou enquanto ele baixava o olhar para as contas novamente — contas que representavam cada ano que viveu com a pergunta:

Por que eu deixei ir? Por que não segurei a mão dela com mais força?

Se fosse sua irmã presa ali...

Ele queimaria o próprio mundo para salvá-la.

Mas sua irmã desapareceu anos atrás.

Nunca encontrada.

Nunca voltou.

O arrependimento o prendia como uma algema, ameaçando acompanhá-lo até o túmulo.

Dentro do lounge de descanso, Freya percebeu que algo estava terrivelmente errado no momento em que sentiu cheiro de fumaça escapando por baixo da porta. Ela correu para a saída — só para encontrar a maçaneta imóvel.

Trancada.

Alguém a havia trancado lá dentro.

Ela chutou a porta com uma força alimentada pelo seu lobo. Foram várias tentativas, mas as dobradiças enfraquecidas finalmente cederam. A fumaça invadiu o cômodo imediatamente, densa e sufocante, engolindo tudo em seu caminho.

Freya rasgou a metade inferior do vestido, transformando a roupa elegante em algo funcional. Seus movimentos eram rápidos, eficientes — instintos de Stormveil aguçados sob pressão.

Pegou uma garrafa de água da mesa, encharcou o tecido e pressionou sobre a boca e o nariz.

Saia daqui. Rápido. Antes que a fumaça destrua seus pulmões.

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