Ponto de Vista de Terceira Pessoa
Freya congelou.
Por um instante, até o fogo e os escombros desabando pareceram silenciar ao redor dela.
Seus olhos se arregalaram, a descrença cintilando em seu rosto marcado pela fumaça.
— Como você sabe disso? — ela perguntou, a voz rouca pelo calor e pela fuligem.
Silas olhou para ela e sorriu.
Era uma visão estranha.
Seu rosto estava pálido, o suor encharcando a linha do cabelo, a respiração irregular. Suas costas ainda estavam pressionadas sob o peso do concreto despedaçado e do metal retorcido, cada músculo tremendo sob a tensão. Parecia espancado, meio esmagado, mal se sustentando.
E, ainda assim — ele estava sorrindo.
Um sorriso verdadeiro.
Como se algo há muito perdido finalmente tivesse voltado para ele.
— Então era você — murmurou, as palavras quase inaudíveis sob o rugido das chamas e das sirenes. — O tempo todo... era você.
A verdade o atingiu com a força de um juramento de sangue encaixando-se perfeitamente.
O lobo dentro dele uivou.
Fora ela.
A garota que o arrastara da morte, que se recusara a abandoná-lo quando o mundo já o fizera. Aquela que ele buscara por territórios, por anos e alianças mutantes. Aquela cuja ausência deixara uma dor oca em seu peito muito antes de ele entender o que era saudade.
O lobo que ele amava.
O lobo que se cravara em sua vida muito antes do destino nomeá-los inimigos, estranhos ou aliados.
Cada marca deixada em sua vida — cada cicatriz, cada escolha — de alguma forma levava de volta a ela.
O fogo crepitava acima deles.
O teto gemeu novamente.
Freya voltou à ação, puxando outra laje de pedra quebrada das costas de Silas, os dentes cerrados até a mandíbula doer. Ela não viu a tempestade completa de emoções queimando em seus olhos. Só sabia de uma coisa.
Ele estava vivo.
E não podia morrer.
Lá fora, no salão de banquetes, o caos reinava sob um céu escurecido pela fumaça.
Caminhões de bombeiros de várias matilhas haviam convergido, seus símbolos brilhando sob as luzes de emergência. Lobos em trajes de combate entravam e saíam da estrutura em chamas, carregando os feridos, dando ordens, coordenando com a precisão nascida de longos conflitos e treinamento.
Everett estava logo além do cordão de isolamento.
Sua postura era rígida, o rosto fechado, os olhos fixos na saída do salão.
Um a um, os sobreviventes eram retirados.
Mas não Parker.
O tempo arrastava-se como garras raspando o osso.
Os dedos de Everett se fecharam lentamente em punhos.
Aquele garoto... mais vale não estar morto.
O pensamento apertou seu peito de um jeito que ele não queria sentir.
Se Parker morresse, como ele explicaria isso para a mãe?
A velha matriarca vinha perdendo a lucidez há anos, oscilando entre clareza e confusão. Parker se tornara sua âncora, seu conforto, a presença que a mantinha firme quando a memória falhava.
E havia mais.
Muito mais.
Os pensamentos de Everett foram para as últimas palavras de Parker antes de correr de volta para o inferno. A lembrança torceu algo desconfortável dentro dele.
As pessoas sempre diziam que Parker se parecia com ele quando jovem. Não só na aparência, mas no temperamento. Decisivo. Mente afiada. Capaz de entender assuntos complexos com apenas um toque de explicação. Mas, diferente de Everett, o garoto tinha limites. Linhas que não cruzaria.
Everett tinha notado isso.
Até admirado.
No começo, Parker era nada mais que um arranjo necessário. Uma criança com uma identidade cuidadosamente construída, que satisfazia os anciãos e acalmava as expectativas de Velda. Um papel.
Mas com o tempo, Everett começou a investir mais do que obrigação.
Ele treinou Parker. O pressionou. Deu acesso ao círculo interno dos Williams. Deixou-o subir.
E às vezes, vendo Parker se mover pelo mundo com confiança calma, Everett se pegava pensando —

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