Ponto de Vista de Terceira Pessoa
Freya virou o corpo levemente, preparando-se para se mover.
Foi então que Jenny atacou.
A malícia distorceu o rosto de Jenny enquanto ela avançava de repente, empurrando com força as duas mãos nas costas de Freya.
— Vai morrer! — gritou Jenny.
Mas Freya tinha sobrevivido à Recon Iron Fang.
Ela aprendera há muito tempo que o perigo nunca se anunciava educadamente.
No momento em que a intenção assassina de Jenny irrompeu, o lobo de Freya a percebeu.
Ela girou bruscamente para o lado.
As mãos de Jenny encontraram o ar vazio.
Antes que a surpresa sequer se instalasse no rosto de Jenny, Freya avançou, seu movimento limpo e brutal. Seu cotovelo desceu com força precisa contra o pescoço de Jenny.
Um estalo surdo ecoou.
Os olhos de Jenny reviraram.
Seu corpo ficou mole e desabou no chão em um monte, imóvel.
Fumaça enrolava ao redor deles, densa e sufocante.
Freya ficou parada por um breve segundo, os lábios apertados em uma linha fina.
Sua perna direita latejava violentamente.
A fratura gritava por atenção, cada nervo em chamas em protesto. Seus pulmões queimavam pela inalação da fumaça, seus músculos tremiam de exaustão após a explosão e o esforço prolongado de sustentar o peso de Jenny.
Sua condição física estava se deteriorando rapidamente.
Será que ela realmente conseguiria tirar Jenny dali?
Freya baixou o olhar para a mulher inconsciente.
Imagens de Eric surgiram sem ser convidadas.
O jeito que a voz dele suavizava quando falava de Lina. A tensão que ele tentava esconder atrás de uma calma forçada. O medo que ele nunca expressava em voz alta.
Freya cerrou os dentes.
Ela se abaixou, se preparando para erguer Jenny no ombro—
Quando o teto gemeu.
Uma rachadura profunda e ameaçadora cortou o ar.
A cabeça de Freya se ergueu num estalo.
— Não—
O teto acima deles começou a desabar.
Pedaços de concreto em chamas e suportes de aço se soltaram, caindo numa cascata violenta.
Freya reagiu instantaneamente.
Ela agarrou Jenny pela gola e a arrastou com toda a força que tinha, lançando-a para um pedaço do chão um pouco mais livre ao lado.
O corpo de Jenny rolou para longe.
Freya tentou seguir.
Mas sua perna machucada a traiu.
A dor explodiu por sua parte inferior, prendendo-a no lugar por uma fração de segundo a mais.
Ela ergueu os braços instintivamente, encolhendo o corpo para proteger a cabeça e o peito, se preparando para o impacto—
Mas o golpe esmagador nunca veio.
Uma sombra se moveu.
Um corpo se lançou no espaço dela.
Algo sólido a protegeu completamente.
Destroços caíram com força.
Pedras se estilhaçaram.
Poeira e fogo irromperam.
A visão de Freya ficou turva, os ouvidos zunindo violentamente.
Quando a poeira baixou o suficiente para que ela pudesse enxergar, suas pupilas se contraíram.
Era Silas.
Não um bombeiro.
Nem um médico.
Nem uma equipe profissional de resgate.
Silas.
Ele havia se jogado sobre ela.
Concreto quebrado e fragmentos em chamas atingiram suas costas, forçando-o a ajoelhar, quase ficando de bruços no chão.
Ainda assim, seus braços estavam rígidos e firmes de cada lado do corpo dela, aprisionando-a, protegendo-a por completo.
O rosto dele estava pálido como cinzas.
Sangue escorria da têmpora.
— Vai... — ele raspou, dentes cerrados. — Vá para um lugar seguro... agora. Mexa-se!
Freya o encarou incrédula.
O que ele estava fazendo ali?
Era loucura.

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