Ponto de Vista de Terceira Pessoa
Lana sentiu uma pontada aguda de auto-reprovação enquanto olhava pela janela do carro de Victor. O que diabos ela estava pensando? A pergunta a corroía como os dentes de um lobo em um osso. Sua mente recriava o momento repetidamente - por que ela já duvidara de si mesma o suficiente para deixar Victor voltar para sua vida?
O tom repentino e baixo de sua voz cortou seus pensamentos. -Me admirando tão intensamente... você se arrepende de ter terminado comigo naquela época?
O olhar de Lana voltou rapidamente para a estrada, mascarando cuidadosamente sua agitação interior. -Não, não me arrependo.- Ela sempre se orgulhou de ser decisiva. Terminar as coisas com Victor tinha sido a escolha mais clara que ela já fizera. Ficar, hesitar, significaria cair sob o encanto de seu rosto, sua presença dominante, novamente.
Os olhos de Victor, afiados e calculistas como um lobo farejando presa, se voltaram para ela. -É melhor você esconder esse pensamento. Não deixe ninguém no jantar perceber - não deixe-os saber que você não se arrepende de ter terminado comigo.
Lana estreitou os olhos. -O que você quer dizer com isso?
Seu sorriso era tenso, predatório. -Significa que você deve agir como se se arrependesse. Finja que ansiou por mim o tempo todo - e que me ama profundamente.
-Victor... é apenas um jantar. Você realmente precisa agir assim?- A testa de Lana se franziu, a irritação a picava como garras.
-Eu preciso-, ele disse friamente, voz baixa mas firme, comandando sua atenção como qualquer Alfa faria com sua matilha.
O carro parou suavemente em frente a um clube privado de alto padrão, o vidro preto brilhando nas luzes da rua. As portas se abriram, e Lana seguiu Victor para dentro, seus sentidos alertas, instintos formigando. Ela fora treinada para notar movimentos sutis, o leve deslocamento de energia em uma sala, e agora sentia a tensão irradiando de Victor como o calor do pelo de um lobo.
Dentro, um grupo de pessoas se aglomerava em conversas, risadas dançando levemente sobre o rico cheiro de vinho caro. No momento em que Victor e Lana entraram, uma voz o cumprimentou. -Victor! Finalmente, pensamos que você não viria.
Algumas cabeças se viraram, e outra voz acrescentou: -Oh! E quem seria essa?- Seu olhar caiu sobre Lana, avaliando-a com curiosidade, algumas tingidas de diversão.
Victor deu um passo à frente, voz baixa mas firme. -Esta é minha namorada, Lana Rook.
Imediatamente, a sala mudou. Olhos se arregalaram em surpresa, o interesse cintilando nos olhares como caçadores sentindo uma nova presa. Alguns pareciam divertidos, outros cautelosos. Era uma sutil onda de reconhecimento de poder, e Lana, embora acostumada a reuniões de negócios, podia senti-la mesmo agora - as regras não ditas de domínio e território, como marcação de cheiro na natureza.
Victor começou as apresentações, uma exibição sistemática de autoridade social. -Essas são pessoas com quem trabalho profissionalmente-, ele disse, guiando Lana por cada aperto de mão, cada aceno cuidadoso. A mente de Lana corria, impressionada e ligeiramente sobrecarregada. Eram figuras influentes em A Capital, formadores de opinião cujo conhecimento poderia levar anos mesmo para o empreendedor mais bem relacionado. No entanto, ali estava ela, envolvida nesse círculo em um único movimento.
Ela sorriu educadamente, respondendo com a graça praticada de alguém acostumado a navegar em terrenos sociais tensos. Sua mente, no entanto, permanecia alerta, lendo cada sinal sutil - o leve deslocamento de um ombro, o brilho de interesse em um olho, a leve ondulação de reconhecimento daqueles que a haviam subestimado antes.
Uma voz, leve e provocativa, quebrou o ritmo. -Victor, você realmente tem uma namorada? Eu pensei que você estava brincando antes. Estávamos tentando combiná-lo com Velda.


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