POV de Terceira Pessoa
-Por que ela não estava protegida?- Silas rosnou, avançando antes que Kade pudesse responder. Sua mão se estendeu, cerrando o paletó de Kade. -Por que ela levou aquele tiro? Você deveria tê-la mantido segura!
Kade não reagiu. Seu lobo baixou a cabeça dentro dele, sobrecarregado pela culpa. -É minha culpa-, ele disse quietamente, sua voz tremendo de remorso.
-Por quê?- Silas exigiu, sacudindo-o uma vez.
Kade engoliu em seco. -Porque eu não esperava que ela pulasse na frente de Parker. Não - eu deveria ter sabido que ela faria isso. Parker é Eric. Seu irmão. Se ele estivesse em perigo, ela arriscaria tudo.
A verdade cortou o ar como uma lâmina.
A mandíbula de Kade se apertou. -Se eu tivesse me movido um segundo mais rápido, se eu tivesse prestado mais atenção... ela não teria sido atingida.
Silas o soltou lentamente. O Alfa da Coalizão Blindada de Ferro deu um passo para trás, seus ombros se curvando, a raiva se esvaindo dele até que só restasse desespero.
Eric. O amado irmão de Freya. Aquele por quem ela passara anos procurando, agarrando-se à esperança de que ele ainda estivesse vivo.
E Silas - ele deveria ter sido o único a protegê-la. Se ao menos tivesse ido com ela ao local de negociação, em vez de manter distância, tentando esconder seu ciúme e confusão. Ele deveria ter ficado ao lado dela, guardado-a, protegido-a do mal.
Mas ele não fez isso.
Agora a mulher que ele amava estava deitada inconsciente em uma cama de hospital, seu corpo cheio de beladona, sua vida pendurada por um fio.
Silas olhou para o seu pulso. Ao redor dele brilhava uma pulseira de madeira escura e jade - presente de Freya. Ele traçou os entalhes distraído com o polegar. As palavras que ela sussurrara quando lhe deu ecoavam fracamente em sua mente.
-É para proteção. Para que você sempre volte em segurança.
Ela lhe desejara segurança e paz. Mas que paz restava para ele se ela não estava segura?
-Anos de segurança-, ele sussurrou amargamente. -Mas como posso estar seguro se você não está?
A pulseira de repente pareceu pesada, como uma algema.
Do outro lado da cidade, Parker estava sentado na suíte escura da propriedade Williams, a dor em sua cabeça diminuindo lentamente à medida que a medicação que Jenny lhe dera começava a fazer efeito.
Sua cabeça ainda latejava levemente, mas pelo menos a dor havia diminuído. Ele pressionou os dedos contra a têmpora e exalou.
Jenny andava de um lado para o outro na frente dele, irritação escrita em cada linha de seu rosto. -Estamos saindo do país-, ela disse bruscamente. -É muito perigoso aqui.
-Imediatamente?- Parker olhou surpreso. Seus pensamentos se voltaram para o hospital - para Freya. A imagem dela caindo na sua frente, seu sangue manchando suas mãos, se recusava a desaparecer. -Mas eu preciso ver
Ele se interrompeu, a mandíbula se apertando. Ele queria vê-la, para ter certeza de que ela estava viva. Para agradecê-la.
Jenny percebeu a hesitação, sua expressão escurecendo. -Você quer dizer ela, não é? Aquela mulher que se jogou na frente de uma bala por você?
Parker não respondeu.
O lobo de Jenny se arrepiou; seus olhos brilharam com algo que não era totalmente humano. -Você não vai chegar perto dela-, ela disse friamente. -Ela é perigosa - e tudo neste lugar também é. Você vai voltar comigo esta noite.
Ele queria discutir, mas suas palavras perfuraram a névoa de dor que turvava seus pensamentos.
A voz de Jenny suavizou, embora seu tom ainda estivesse afiado. -Você esquece o que está em jogo. Se você ficar, se se distrair com ela, perderá tudo. Você realmente quer isso?
As mãos de Parker se cerraram. Perder tudo. Isso significava Lina.
O rosto frágil de Lina passou diante de seus olhos - sua risada, suas bochechas pálidas, sua voz suave chamando seu nome. Lina estava morrendo, seu sangue envenenado por uma doença que nenhum curandeiro ou cientista ainda podia curar. Sem o enxerto de medula certo, ela tinha apenas alguns anos de vida.

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