POV de Terceira Pessoa
-O que você quer dizer, meu irmão se foi? Você disse que ele estava bem!
A mandíbula de Silas se apertou. -Ele está bem. Mas enquanto você estava inconsciente... ele partiu. Parker e Jenny voltaram para o país C esta manhã.
Freya congelou, o sangue sumindo de seu rosto.
Partido? Seu irmão - Eric - tinha partido?
Seu pulso disparou e ela tentou se levantar apesar da dor lancinante em seu ombro. -Então eu irei para o país C. Eu tenho que vê-lo!
Silas a segurou antes que ela pudesse se mover mais, sua mão firme em seu ombro não ferido. -Freya, pare. Você levou um tiro. Você esteve inconsciente por vinte e quatro horas. Se você rasgar a ferida novamente, seu ombro pode nunca se curar.
-Ele é meu irmão-, ela retrucou, a voz tremendo. -Claro que me importo!
Por um instante, Silas ficou completamente imóvel. Claro que ela se importava. Sempre foi assim - seu coração ligado ao irmão que ela havia perdido e encontrado novamente. Ele sabia disso. Ele sempre soube.
-Você jogaria sua vida fora por ele?- Sua voz rachou sob o peso da pergunta.
O dia anterior havia esculpido sombras profundas sob seus olhos. Toda vez que ele os fechava, ele a via lá - sangrando, frouxa, seu cheiro se tornando mais fraco a cada segundo. Isso tinha arranhado algo cru dentro dele.
Freya encontrou seu olhar firmemente. -Ele é meu irmão.
Apenas quatro palavras. Mas elas continham a gravidade de tudo o que ela era.
Silas inspirou fundo entre os dentes, a frustração e o medo cintilando por trás de seus olhos. -Se você soubesse que era perigoso, por que não me ligou?
Seus lábios estavam pálidos e secos. -Não havia tempo. E você... você não me devia nada.
Especialmente não depois da forma como haviam se separado da última vez - palavras como lâminas, silêncio como gelo.
-Então você prefere acabar assim?- A voz de Silas aumentou, rachando sob a emoção que ele havia tentado tanto suprimir. -Você tem ideia do que isso fez comigo quando te vi sangrando? Freya - como você pôde - como você pôde
Sua voz quebrou. As palavras se dissolveram em algo cru e sem palavras.
Kade ficou quieto perto da cama, silencioso de forma incomum. Ele já tinha visto Silas Whitmor furioso antes, mas nunca assim - nunca tão humano, nunca tão assustado.
O olhar de Freya suavizou. Os olhos de Silas estavam duros, mas sob aquele aço havia uma espécie de dor que torcia seu peito. Ele parecia como se sua morte o tivesse destruído.
-Desculpe-, ela disse baixinho. -Eu não quis te preocupar.
Os olhos de Silas baixaram. Depois de uma longa pausa, ele falou, com a voz áspera. -Vou providenciar um jato particular. Você voltará para A Capital amanhã. Os curandeiros lá cuidarão melhor de você. Seu ombro precisa de uma recuperação adequada.
Freya piscou, surpresa por sua repentina praticidade.
Kade assentiu ao lado dela. -Eu concordo. É mais seguro assim. E se você ainda quiser ir para o país C, precisará voltar para casa primeiro e solicitar um passe de viagem através do Conselho da Matilha.
Freya soltou uma risada fraca e amarga. -Certo... claro.

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