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O Despertar da Luna Guerreira romance Capítulo 345

POV de Terceira Pessoa

O mundo ao redor de Parker ficou borrado.

Flashes de memórias fragmentadas rasgaram sua mente - chamas, gritos, o som fraco da voz trêmula de uma garota chamando através do caos.

-Irmão! Irmão! Irmão...

O eco o atingiu, cada repetição cortando seu peito como uma lâmina. Seu lobo se agitou inquieto sob sua pele, a dor daquela palavra - irmão - quase insuportável.

Do outro lado, Freya balançava em seus pés. Seu rosto pálido estava sem cor, suor escorrendo pelas têmporas. -Eu - eu estou bem, Parker,- ela murmurou roucamente, forçando um sorriso fraco que não alcançava seus olhos. -Você não precisa se preocupar comigo.

Mas o vermelho florescendo em seu ombro esquerdo a traiu. O cheiro de sangue - afiado, metálico e entrelaçado com beladona - pairava pesado no ar.

-Seu sangue não está parando,- Kade disse, sua voz tensa de pânico. -Essa bala estava envenenada. Vou te levar para o hospital agora!

Ele já havia arrancado sua gravata e a enrolado em torno de seu ferimento, mas a mancha escura apenas se espalhava mais rápido, encharcando o tecido. O ferimento sibilava levemente; o lobo de Freya não podia curá-lo. A beladona estava corroendo suas veias.

Sem dizer mais uma palavra, Kade a pegou em seus braços, segurando-a como se ela pudesse se despedaçar se ele a soltasse.

Sirenes uivavam ao longe - reforços. Os executores da Coalizão Blindada e unidades policiais despejaram na praça.

E entre eles veio Silas.

Ele não esperava vê-la aqui - sua Freya. Seu coração parou quando seu olhar captou a visão de Kade carregando sua forma inerte. Sua cabeça pendia fracamente contra seu peito, seu braço pendurado sem vida, dedos roçando o ar. Sangue pingava constantemente de suas pontas dos dedos, marcando um rastro escarlate pelo pavimento rachado.

Sua camisa branca estava encharcada de um lado, o tecido grudando nela como seda afogada em carmesim.

Para Silas, a visão era insuportável.

Essa mesma cor - o mesmo vermelho sufocante - havia preenchido seu mundo uma vez antes, na noite em que sua mãe tirou a própria vida. Esse pesadelo havia se queimado em sua memória, e agora ele retornava, vívido e implacável.

O terror inundou seus sentidos. Seu peito se apertou até mal conseguir respirar. -Freya!- ele gritou, tropeçando para frente, sua voz crua e quebrada. -Freya!

Kade não diminuiu a velocidade. -Saia do meu caminho!- ele latiu, empurrando qualquer um que estivesse à sua frente.

O corpo de Freya parecia mais pesado a cada passo que ele dava. Seu pulso estava enfraquecendo. O mundo ao seu redor começou a se misturar em uma névoa de sombras e ruídos distantes.

Ela sabia que estava perdendo muito sangue. Até seu lobo havia ficado em silêncio dentro dela, estrangulado pelo veneno se espalhando por seu corpo.

Em algum lugar naquela névoa, ela pensou ter ouvido a voz de Silas - tremendo, aterrorizada. Ele parecia desesperado, como se o mundo estivesse acabando.

Ele estava com medo por ela?

Freya queria abrir os olhos, dizer a ele que ainda estava viva, que era apenas seu ombro, nada mais. Mas suas pálpebras pareciam imensamente pesadas, seu corpo frio.

O gosto metálico da beladona queimava sua língua. A escuridão se aproximava.

-Silas, saia do caminho!- Kade gritou, sua voz se partindo. Ele bateu seu ombro no peito de Silas, empurrando-o para o lado antes de correr para o transporte esperando.

Silas tropeçou, dor passando por seu rosto. Quando ele se estabilizou, Kade já havia desaparecido nas luzes piscantes, o sangue de Freya manchando sua camisa.

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