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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 288

Felipe

Eu não deveria ter vindo.

Essa era a conclusão que eu tinha chegado nos últimos trinta segundos, parado na soleira da porta, olhando para um homem que eu nunca tinha visto na minha vida e que estava na sala da Aelyn com aquela presença de quem pertence ao lugar.

Alto. Ombros largos. O tipo de rosto que as pessoas descrevem como bem construído, com aquela simetria que eu, como advogado, reconhecia como uma vantagem injusta em qualquer situação.

E olhando para mim de volta com aquela calma de quem não deve nada a ninguém.

"Felipe", a Aelyn disse, com aquela voz que eu conhecia antes de qualquer outra coisa no mundo. "Esse é o Luciano."

Eu entrei.

Atravessei a sala.

Estendi a mão.

Ele apertou, firme, daquele jeito que diz que não está tentando provar nada, mas prova mesmo assim e eu apertei de volta com a mesma firmeza porque não havia razão nenhuma para eu fazer diferente.

Nenhuma razão.

"Prazer", eu disse.

"Igualmente", ele disse.

E havia algo completamente insuportável no fato de ele parecer gente boa.

Seria muito mais simples se ele fosse antipático.

Soltamos as mãos.

E antes que eu processasse o movimento, a mão dele foi para a cintura da Aelyn, daquele jeito casual de quem já fez aquilo mil vezes, daquele jeito que ocupa espaço sem pedir licença e ela se aproximou um passo, e aquilo foi suficiente para eu sentir alguma coisa que eu decidi imediatamente que não ia nomear.

"Vamos, então", a Serena disse, com aquela pontualidade conveniente. "Estamos atrasados."

"Claro." A Aelyn se afastou levemente do Luciano e eu notei, contra minha vontade, o exato centímetro que ela se afastou. "Vou pegar a chave do carro."

"Não precisa", o Luciano disse. "A gente vai no meu, é mais fácil."

Ela virou o rosto para ele e sorriu.

Não era um sorriso qualquer.

Era aquele, daquele jeito específico que eu conhecia de décadas, aquele que aparecia quando ela estava genuinamente bem, quando estava em algum lugar ou com alguém que a deixava à vontade de um jeito que ela não precisava fazer esforço.

Eu havia visto aquele sorriso direcionado para mim centenas de vezes.

Preferia assim.

Ela se virou para as meninas.

"Vocês vão no carro comigo?"

"Vou com o Felipe", a Sophia disse, com uma naturalidade que era claramente estudada.

"Vou com vocês também", a Serena acrescentou, "pra que ser vela do casal?"

Mordi o interior da bochecha.

"Então vamos", eu disse, e saiu mais seco do que eu planejava, mas não havia muito o que fazer sobre isso agora.

Saímos juntos e na calçada os dois grupos foram em direções opostas, eles para o carro que estava estacionado na frente, eu para o meu que estava logo atrás.

Eu vi ela entrar no banco do passageiro.

Do lado dele.

A Aelyn sempre sentava do meu lado. Sempre. Era uma coisa que tinha acontecido tantas vezes que eu nem pensava mais nisso, ela simplesmente aparecia no lugar que era dela, com aquela naturalidade de quem sabe onde pertence.

Agora ela estava entrando no carro de outro homem com aquele mesmo jeito natural.

Respirei fundo.

Entrei no meu carro.

A Sophia foi para o banco do passageiro. A Serena foi atrás. Nenhuma das duas disse nada, o que era uma demonstração de autocontrole considerável para as duas, e eu apreciei isso por aproximadamente vinte segundos.

Liguei o motor.

Saí atrás do carro dele.

288. [Segunda fase] - O que é isso que eu estou sentindo? 1

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