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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 283

Laís

Queriamos contar para a família no mesmo dia, mas com Branca ainda no hospital, resolvemos esperar até eles estarem em casa. Liguei para ela na tarde em que ela voltou, só para ter certeza de que não iríamos atrapalhar.

A Branca atendeu no segundo toque.

"Posso ir te visitar hoje?", eu disse, antes de qualquer cumprimento.

"Laís." A voz dela tinha aquela mistura de cansaço e afeto que eu já estava aprendendo a reconhecer como o tom padrão de mãe de recém-nascido. "Você não precisa pedir."

"Preciso sim. Com recém-nascido é corrido, é complicado, as pessoas aparecem sem avisar e—"

"A minha mãe está aqui, o Cássio está aqui, a Aelyn está aqui." Uma pausa. "E a Serena está dormindo agora, o que significa que tenho exatamente uma janela de paz que você pode ocupar." ela parou de falar outra vez e então: "Isso é uma ordem, Laís. Vem."

Eu ri.

"Tá bom."

"E traz o Felipe. A Aelyn está me deixando louca perguntando dele."

"Imaginei que sim."

Desliguei e fui até o corredor.

"André. Felipe." Bati na porta do quarto. "A Branca disse que podemos ir lá hoje."

"Finalmente." André falou, saindo do quarto do Felipe, onde eles jogavam videogame.

***

André dirijia, mas eu via a tensão nos olhos e nos ombros dele. Ele estava animado para contar, mas pedi que esperasse até o momento certo.

"E tem momento certo?"

"Claro que tem, estamos indo na casa deles fazer uma visita, vamos esperar até o momento certo para falar. Eles são nossa família, mas... eles também estão se adaptando à nova realidade. Não podemos ser invasivos."

"Eu estou ansioso." Felipe falou e dei risada, concordando.

Eu também estava.

Tudo seria perfeito hoje.

Assim que chegamos, descemos e demos as mãos. Era assim que queriamos estar o tempo todo, juntos, nessa nova história que estávamos criando.

A porta da casa da Branca se abriu antes que a gente chegasse até ela.

Não foi a Branca.

Foi a Aelyn.

Ela ficou parada por exatamente meio segundo, aquele meio segundo em que ela processou que o Felipe estava ali e então saiu correndo pela calçada com aquela energia que não tinha velocidade máxima.

O abraço chegou antes que ele pudesse se preparar.

"Que saudade!", ela disse, com a voz abafada porque estava com o rosto enterrado no ombro dele.

O Felipe ficou parado por um segundo, aquela postura dele de quem está calibrando, e então deu dois tapinhas carinhosos na cabeça dela.

"Eu também", ele disse.

Todos nós rimos ao mesmo tempo.

A Aelyn se afastou e o olhou com aquela expressão avaliativa.

"Você ficou mais alto."

"Faz três dias que você não me vê."

"E ficou mais alto."

"Não é possível em três dias."

"Ficou." Ela falou com aquela certeza que não precisava de argumento. "Vem, a gente vai brincar."

"Depois." Ele me olhou por sobre o ombro dela.

Eu entendi antes que ele pedisse. Ele queria estar perto quando a gente contasse, eu tinha percebido isso naquela manhã, quando ele ficou quieto na cozinha absorvendo tudo com aquela atenção toda que ele tinha.

"Pode ir", eu disse. "Eu te chamo."

Pisquei para ele.

Ele concordou com a cabeça, e o sorriso pequeno que apareceu no canto da boca dele era o suficiente.

A Aelyn já estava puxando pelo braço antes que ele terminasse de assentir.

A sala estava com aquela luz de fim de tarde que entra de lado e deixa tudo mais quente, mais presente. Branca estava no sofá com a Serena no colo, a Vânia na cozinha pelo barulho que vinha de lá, o Cássio em algum lugar do andar de cima.

Quando me viu entrar, a Branca abriu um sorriso que não escondia o cansaço, mas que era completamente real.

Fui sentar ao lado dela.

Fiquei olhando para a Serena por um segundo antes de falar.

"Você parece cansada", eu disse.

"Estou." Ela ajustou a pequena no colo com aquele jeito de mãe que já era automático depois de três dias. "Eu não me lembrava de como esse início é cansativo. As noites são longas, o dia passa rápido demais, e você não tem certeza de nada."

Eu ri.

"Não me desanima."

Ela me olhou de lado.

"Por quê? Está pensando em algo?"

"Talvez estejamos planejando..."

Ela me encarou por um segundo com aquela expressão que eu conhecia, aquela de quem está avaliando se a pessoa a sua frente está sendo completamente honesta. Mas decidiu deixar passar.

"Pois é." Ela olhou para a Serena. "Acho que está na hora de você parar de tomar remédio. Nossos filhos têm que crescer juntos."

Eu me recostei no sofá e fiquei olhando para o teto por um segundo.

Felipe. Quatro anos mais velho que a Aelyn. A Aelyn, seis anos mais velha que a Serena. E o meu bebê seria sete anos mais novo que a Aelyn e quase um ano mais novo que a Serena.

Aquilo ia ser uma loucura absoluta.

Uma loucura linda.

"Já está sonhando, é?" A voz da Branca chegou com aquele tom de quem pegou alguém no flagra. "Está com um olhar sonhador."

"Eu nunca tinha pensado nem um terço do que está acontecendo comigo", eu disse, honesta.

283. Hora de contar para a Família 1

283. Hora de contar para a Família 2

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