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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 279

Cássio

Fomos transferidos para o quarto assim que levaram a Serena para alguns exames.

Branca me obrigou a ir com a pequena, com medo de a trocarem, e fiz isso, segui cada local que levaram minha filha, enquanto eu pude, até que não pude mais.

Serena era prematura, e ia precisar passar umas horas na incubadora até terem certeza de que estava tudo bem.

Voltei para o quarto e Branca, me encarava em expectativa.

"Ela está bem, só está fazendo alguns exames. O pediatra disse que em algumas horas ela volta para nós."

"Horas?"

"Sim, amor, ela foi apressadinha. Estão vendo se os pulmões e o restante estão funcionando certinho." ela pareceu ainda mais preocupada, mas eu via o cansaço dela.

"Mas ela está bem, né? Você não mentiria pra mim sobre isso." Me inclinei e beijei sua testa.

"Está tudo bem. Agora descanse." ela fes que não, mas em alguns minutos o cansaço acabou a levando e fiquei de guarda.

Antes da Branca acordar, a enfermeira chegou com a Serena em um bercinho, e fui até lá. Ela a pegou e me entregou e fiquei olhando para ela.

"Ela está completamente bem. Nem parece ser prematura." sorri olhando para a garotinha, que tinha movimentado todo o nosso dia.

"Ela é uma Ravelli. Sabe o que é chegar chamando atenção." a enfermeira apenas riu e saiu me deixando com a pequena nos braços.

Fiquei conversando com ela por um tempo, até que Branca acordou.

"Ela já está aqui?" me virei e caminhei até ela, entregando nosso pacotinho.

"Ela está bem. Não precisa mais se preocupar." os olhos marejaram e ela a envolveu com carinho.

"Obrigada." ela disse e a encarei.

"Pelo que exatamente?"

"Por estar aqui e cuidar de nós." ela sorriu e eu a beijei.

"E onde mais eu estaria?" Não dissemos mais nada, até que a porta se abriu e dona Vânia entrou.

Ela colocou a bolsa de lado. Já não estava mais com as roupas da festa e caminhou até a Branca.

Ficou observando as duas por um tempo e quando falou, a voz estava daquele jeito que ela raramente deixava aparecer.

"Perfeita", ela disse. "Igual à mãe."

A Branca riu baixinho.

O André e a Laís vieram logo depois, sorrisos de orelha a orelha, e Laís deu uma cutucada nele, para não fazer barulho, pois Serena estava dormindo.

E então ouvi.

Do corredor.

Aquela voz inconfundível que não sabia modular o volume nem quando tentava.

"Mas eu preciso ver ela agora..."

"Aelyn, tem que esperar..."

"Mas ela é minha irmã..."

"Eu sei, mas..."

"Papai disse que eu podia vir..."

"Seu pai disse que você podia vir quando fosse a hora..."

"É a hora."

Fui até a porta.

O Felipe estava no corredor tentando, com toda a paciência que ele tinha desenvolvido nos últimos meses, explicar para a Aelyn que havia um protocolo, e a Aelyn estava ouvindo com aquela expressão de quem está ouvindo, mas não está concordando com absolutamente nada do que está sendo dito.

Quando ela me viu, os olhos dela mudaram.

"Papai." A voz saiu daquele jeito específico que ela usava quando sabia que eu era a instância final de apelação. "Eu posso entrar?"

Eu olhei para ela.

Para o vestidinho de daminha, um pouco amassado depois de horas de festa e correria, o cabelo com as florzinhas ainda presas, mas algumas escapando, os olhos com aquela mistura de ansiedade e determinação que era completamente dela.

"Por que não se trocou?" eu disse.

"Por que eu quero que a Serena me veja linda." sorri de lado e ela correu para me abraçar. "Posso vê-la agora?"

"Pode, mas façam silêncio, que ela está dormindo."

O Felipe soltou o ar e os dois entraram.

O quarto ficou menor quando a Aelyn entrou.

Não porque ela ocupasse muito espaço fisicamente, mas porque ela tinha aquela presença que preenchia os ambientes antes que o corpo chegasse completamente.

A Serena estava nos braços da Branca, pequena e quieta, os olhos fechados com aquela paz de quem acabou de fazer uma viagem longa e está descansando.

A Aelyn ficou completamente imóvel.

Para a Aelyn, que nunca ficava imóvel, aquilo era extraordinário.

Ela foi se aproximando devagar, daquele jeito cuidadoso que ela tinha quando decidia ser cuidadosa, que era raro mas impressionante quando aparecia, até chegar perto o suficiente para ver.

Ficou olhando.

279. Conhecendo a irmã 1

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