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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 271

André

A sala de espera tinha cadeiras de couro azul-marinho que eu tinha memorizado em cada detalhe depois de horas sentado nelas.

O encosto tinha uma costura irregular do lado esquerdo. O chão era de porcelanato frio que eu sentia através do solado do sapato quando ficava parado demais. A máquina de café no canto fazia um barulho específico a cada quinze minutos, independente de alguém usar.

Eu sabia tudo isso porque era a terceira hora que estávamos ali.

A Laís estava ao meu lado, as mãos entrelaçadas no colo, com aquela serenidade que eu sabia que custava, não era natural, era construída, tijolo por tijolo, daquele jeito que ela faz quando decide ser o porto seguro para outra pessoa.

Meu celular vibrou.

Olhei para a tela.

Cássio: como está?

Ia responder quando vibrou de novo.

Atendi sem pensar.

"Tio André." A voz da Aelyn chegou cheia e ansiosa do outro lado. "Acabou? O Felipe está bem? Quanto tempo falta? O doutor já saiu? Ele vai enxergar hoje?"

Eu fechei os olhos por um segundo, e algo dentro de mim afrouxou de um jeito que eu não esperava.

"Ainda não acabou, minha flor", eu disse. "Mas assim que souber, eu te ligo."

"Promete?"

"Prometo."

"E ele vai ficar bem?"

"Vai ficar bem."

Ouvi um fungar da pequena e olhei para Láis, que sorriu de lado.

"Tá bom." Ela parecia estar pesando aquilo. "Mas liga logo, tá? Eu tô aqui esperando."

"Eu sei querida, eu ligo."

Ela desligou.

Eu baixei o celular e olhei para a Laís, que tinha ouvido tudo com aquele sorriso que ela tenta esconder e nunca consegue completamente.

"Bem que você disse que a Aelyn se encantou com ele", eu disse, baixo.

Ela deixou o sorriso aparecer de vez.

"Esse amor de infância é lindo", ela disse. "Mais ainda porque ela vê o nosso menino do jeito que ele é. Não como o preconceito como os outros enxergam." Ela suspirou. "Ela vê o coração dele."

Fiquei olhando para ela por um segundo.

"Como você é assim?", eu disse, pela segunda vez na vida.

Ela me olhou de lado.

"Assim como?"

"Assim certa das coisas que importam."

Ela pegou minha mão.

"Não sou certa de nada", ela disse. "Só presto atenção. Assim como Aelyn. Quando não temos algo e conquistamos, não queremos perder, mesmo que dê muito medo."

Ficamos em silêncio por mais um tempo, a máquina de café fez seu barulho dos quinze minutos, alguém entrou pela porta do fundo, um médico passou pelo corredor sem olhar para os lados.

E então a porta se abriu.

O doutor Henrique saiu com aquela expressão que eu já tinha aprendido a ler, não era euforia, era satisfação. Aquela diferença sutil entre quem está aliviado e quem está orgulhoso do trabalho.

Nós dois nos levantamos ao mesmo tempo.

"Podem ficar tranquilos, correu tudo bem", ele disse, antes que eu abrisse a boca. "Tudo dentro do esperado. Sem intercorrências."

Eu soltei o ar.

271. Pós operatório 1

271. Pós operatório 2

271. Pós operatório 3

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