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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 267

André

Eu não esperava que a parte mais difícil da mudança fosse convencer uma criança de seis anos a soltar meu filho.

Mas ali estava eu.

A Aelyn tinha os braços enrolados no pescoço do Felipe desde a manhã, com aquela determinação de quem decidiu que, se não se mover o tempo também não move. O Felipe estava com a expressão de quem está tentando ser paciente, mas está chegando no limite.

"A gente vai se ver", ele disse, pela terceira vez.

"Não é a mesma coisa." A voz dela saiu abafada porque ela estava com o rosto enterrado no ombro dele.

"É quase a mesma coisa."

"Não é." Ela se afastou o suficiente para olhar para ele, os olhos vermelhos, o nariz já começando a escorrer. "Você ficava aqui. Eu sabia que você estava aqui. Agora você vai estar lá e eu vou estar aqui, e não é a mesma coisa, Felipe. Eu não quero que você vá."

Ele ficou quieto por um segundo.

E então, com aquela seriedade que ele tem quando está sendo honesto de verdade, disse:

"Você pode ligar pra mim toda hora."

Ela piscou.

"Toda hora?"

"Toda hora que você quiser."

Ela considerou aquilo olhando nos olhos dele, tão profundamente, que até nós, adultos, nos assustamos.

"Tá bom", ela disse. E o abraçou de novo.

Eu me virei para não rir na cara deles, e foi exatamente quando ouvi, baixinho, a voz da Laís perto da Branca, aquele sussurro que ela acha que ninguém ouve:

"O Cássio está preparado pra isso?"

E a Branca, tentando não rir:

"Não. Ele ainda não entendeu que a filha dele está encantada pelo Felipe."

Dei uma risadinha baixa e olhei para o meu filho, que naquele momento estava tentando, com toda a diplomacia que um menino de dez anos consegue reunir, se soltar gentilmente dos braços de uma criança de seis que não queria ser solta.

Pobre Felipe.

Não tinha a menor ideia do que estava enfrentando.

"Bom, então é isso. Agora nós já vamos." todos se despediram, e Cássio acabou pegando Aelyn no colo, porque ela abriu o berreiro novamente. Ela chorava tanto, que dava dó.

Quando finalmente conseguimos chegar ao carro, com a Aelyn fazendo uma última despedida que durou mais sete minutos, eu já estava com as chaves na mão e a Laís já tinha o cinto colocado.

Minha mãe entrou no banco de trás ao lado do Felipe, e eu arranquei antes que alguém mudasse de ideia, ou que minha sobrinha desse um jeito de entrar no carro.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, a cidade passando do lado de fora, e então minha mãe disse, com aquele tom dela de quem está compartilhando um pensamento completamente razoável:

"Sabe, André, acho que você deveria comprar uma casa mais perto da Branca. Para ficarmos todos juntos. Tadinha da minha netinha. Eu quase fiquei para acalmá-la."

Olhei para a Laís no banco do passageiro.

Ela deu de ombros. Completamente neutra.

"Mãe", eu disse, com a paciência de quem acabou de passar três meses reformando uma casa inteira. "Você fala isso agora que eu reformei tudo?"

"É que só me ocorreu agora."

"Só te ocorreu agora..."

"Às vezes as melhores ideias demoram."

"Eu troquei o piso da sala inteira."

"E ficou lindo! Aliás..." Ela fez uma pausa que eu já sabia que não era boa. "Uma casa reformada é muito mais fácil de vender."

Felipe soltou um riso curto no banco de trás.

Eu olhei para ele pelo retrovisor.

Ele estava com aquela expressão de quem está tentando não demonstrar que achou graça, e não estava conseguindo.

"Obrigado pelo apoio", eu disse.

"Eu não disse nada", ele respondeu, inocente.

A Laís estava olhando para a janela com um sorriso que ela achava que estava escondendo.

"Vou pensar sobre isso", eu disse para a minha mãe, só para encerrar o assunto.

"Ótimo." Ela ficou satisfeita. "Eu sabia que você ia entender."

Ah dona Vânia, quem não te conhece que te compre, pensei.

O caminho até nossa casa não era tão longo. E logo eu estava estacionando ali na frente.

A casa estava diferente de quando eu tinha saído.

Não era a reforma, eu conhecia cada detalhe da reforma, tinha acompanhado cada decisão. Era outra coisa. Era o que acontecia quando um lugar finalmente sabe para que existe.

Assim que desci, já fui até o lado do Felipe e abri a porta.

"A gente chegou", eu disse.

Ele saiu devagar, a mão encontrando meu braço no automático, e ficou parado na calçada por um segundo com aquela atenção toda que ele tem, sentindo o espaço, o ar, o chão diferente embaixo dos pés.

267. Em casa 1

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