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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 263

Cássio

Três meses.

Três meses desde que o Jonathan e a Ana tinham sido presos, desde que a casa tinha voltado a ser casa, desde que a gente tinha aprendido de novo como era acordar sem aquele peso específico de ameaça no peito.

Três meses em que o Felipe tinha ido a cada consulta sem reclamar, em que os flashes de luz tinham aumentado devagar, em que o doutor Henrique usava a palavra progresso com aquela calma que a família aprendeu a confiar. Em que a Serena tinha crescido dentro da Branca com aquela obstinação silenciosa de quem já tem personalidade antes de nascer.

Sete meses.

Eu olhei para ela pelo espelho do quarto enquanto ela escolhia o que vestir, e fiquei parado por um segundo a mais do que devia.

Ela estava de costas para mim, com aquela barriga que mudava a silhueta dela de um jeito que eu não conseguia olhar sem sentir alguma coisa que ainda não tinha nome certo. Não era só amor ... era gratidão... ou até apreciação. Ela era tudo que eu sempre quis sem saber.

Mas também veio com uma travinha que quase me deixava louco. A teimosia.

"Você está olhando para mim", ela disse, sem se virar.

"Estou."

"Com aquela cara."

"Que cara?"

"A cara de quando você está pensando em como me convencer de alguma coisa."

Sorri de lado, e ela ainda estava de costas e mesmo assim soube, porque me conhece bem demais.

"Não vai adiantar", ela acrescentou, antes que eu abrisse a boca.

"Eu nem disse nada ainda."

"Não precisa." Ela se virou, e eu tive que fazer um esforço consciente para manter o raciocínio porque ela estava linda de um jeito que continuava me pegando desprevenido depois de meses. "Eu sei o que você vai falar."

"Então já sabe que faz sentido."

"Faz sentido pra você."

Fui até ela, devagar, e parei na frente. A barriga da Serena estava entre nós de um jeito que já era familiar, que eu já tinha aprendido a contornar instintivamente quando me aproximava.

Pus as mãos na cintura dela.

"Você está de sete meses", eu disse.

"Eu sei de quantos meses estou, Cássio."

"É um julgamento. Vai ser longo, vai ser pesado, vai ter coisas ditas que..."

"Eu sei o que vai ter." Ela me olhou direto, e havia algo nos olhos dela que eu conhecia ,aquela determinação que não é teimosia, é necessidade. "Eu preciso estar lá. Preciso estar lá pelo Pedro e por mim."

"Não precisa. A condenação vai acontecer com ou sem você na sala."

"Não é sobre a condenação." A voz saiu mais baixa agora, mais funda. "É sobre eu olhar na cara daquela mulher e ela me ver. Saber que eu estava lá. Que eu vi tudo." ela respira fundo alisando a barriga. "Principalmente que ela perdeu tudo destruindo alguém tão puro quanto meu menino."

Eu fiquei quieto.

263. Antes do Julgamento 1

263. Antes do Julgamento 2

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